Levantamento mostra que mais da metade da população considera o bem-estar psicológico o principal problema de saúde do país; crescimento se intensificou desde a pandemia
Uma nova pesquisa da Ipsos revela que a saúde mental superou o câncer como a principal preocupação de saúde para os brasileiros — um indicativo claro de como transtornos como ansiedade, depressão e estresse ganharam espaço no debate público e privado do país.
Segundo o Ipsos Health Service Report divulgado em outubro de 2025:
- 52% dos brasileiros apontam a saúde mental como o maior problema de saúde do Brasil.
- Em comparação, 37% citam o câncer, seguido por 33% que mencionam estresse, 26% o abuso de drogas e 22% a obesidade.
- Essa percepção cresceu bastante ao longo dos anos: em 2018, apenas 18% da população via a saúde mental como prioridade; em 2020 essas menções subiram para 27%, em 2021 para 40%, em 2022 para 49%, até chegar aos atuais 52%.
Outros destaques do estudo:
- 74% dos brasileiros dizem pensar com frequência sobre seu próprio bem-estar mental, um dos índices mais elevados entre os países pesquisados.
- A preocupação é mais forte entre mulheres e entre pessoas mais jovens: cerca de 60% dos indivíduos da Geração Z destacam a saúde mental como principal problema, ante 40% dos chamados “boomers”.
- Embora haja melhora na avaliação dos serviços de saúde — 34% consideram o atendimento “bom ou muito bom” (alta em comparação a 2018) — ainda existe forte sentimento de desigualdade no acesso. Aproximadamente 80% acreditam que boa assistência médica está fora do alcance da maioria da população.
Esses resultados refletem uma tendência global apontada pela Ipsos em estudos anteriores: o reconhecimento cada vez maior da saúde mental como componente fundamental da qualidade de vida. A pandemia de Covid-19 foi um ponto de inflexão — intensificou sintomas de isolamento, aumentou os casos de ansiedade e depressão, e expôs fragilidades no sistema de saúde mental público.
Outros dados nacionais confirmam esse cenário:
- Um relatório do Ipsos de 2023 já mostrava que 52% dos brasileiros consideravam a saúde mental como o principal problema ligado à saúde no país.
- Há reclamações comuns sobre tempo de espera para atendimento, custo dos tratamentos e falta de investimentos, sobretudo em saúde mental preventiva.
Especialistas apontam que o estigma ainda existe, mas que cresce o volume de discussões sobre saúde mental nas mídias, redes sociais, empresas e instituições de ensino, o que ajuda a conscientizar e a ampliar a demanda por serviços de qualidade.