Beber uma lata por dia de refrigerante diet ou zero pode elevar chances de doença hepática gordurosa não alcoólica; adoçantes artificiais também são apontados como parte do problema
Um novo estudo apresentado na Semana Europeia de Gastroenterologia alerta: consumir apenas uma lata de refrigerante diet por dia já pode elevar em cerca de 60% o risco de desenvolver doença hepática gordurosa não alcoólica, também chamada de MASLD (Muscle-Associated Steatotic Liver Disease ou estomatose hepática associada à disfunção metabólica).
Aqui estão os pontos principais dessa e de outras pesquisas relacionadas:
- O levantamento acompanhou quase 124 mil pessoas que não tinham doença hepática no início, por cerca de dez anos, usando dados do UK Biobank, no Reino Unido.
- Pessoas que bebiam refrigerantes diet/zero regularmente tinham risco maior de desenvolver MASLD do que aquelas que não bebiam. Mesmo níveis considerados “modestos”, como uma lata por dia, já apareciam associados ao risco aumentado.
- O consumo de refrigerantes açucarados (versões comuns, com açúcar) também aumentou esse risco — mas de modo um pouco menor do que o observado com as versões diet/zero.
- Quem substituiu refrigerantes (sejam diet ou com açúcar) por água reduziu o risco: cerca de 15% de redução para diet/zero, e cerca de 13% no caso dos açucarados, segundo os resultados.
Outros estudos que corroboram e complementam esses achados
- Pesquisas recentes indicam que refrigerantes zero podem inibir proteínas do fígado responsáveis por eliminar toxinas, o que prejudica o processo de desintoxicação natural do órgão. A sucralose e o acessulfame-K, adoçantes comumente usados, foram apontados nesses estudos.
- Em laboratório, há evidência de que esses adoçantes afetam enzimas hepáticas ou proteínas como P-gp (glicoproteína P), que ajudam na metabolização de medicamentos e toxinas.
- Estudo da Harvard com mulheres na pós-menopausa encontrou que refrigerantes açucarados estão associados a até 85% mais risco de câncer de fígado e 68% de mortalidade por doenças crônicas do fígado. Embora este estudo não tenha concluído o mesmo para bebidas adoçadas artificialmente, os dados reforçam o alerta sobre o impacto dos refrigerantes comuns.
Possíveis mecanismos
- Apesar de não conterem açúcar nas versões zero/diet, essas bebidas contêm adoçantes artificiais que podem alterar o microbioma intestinal, interferir na saciedade, desencadear respostas metabólicas relacionadas à insulina ou afetar o apetite para doces.
- Bebidas com açúcar causam picos de glicose e insulina, que favorecem o acúmulo de gordura no fígado.
O que isso significa para quem consome refrigerantes zero
- O consumo frequente de refrigerantes zero ou diet não é uma alternativa totalmente segura, mesmo sem açúcar ou poucas calorias. A percepção de que são “inofensivos” precisa ser revista, sobretudo se usados diariamente.
- Reduzir ou evitar essas bebidas, optar por água, chás sem açúcar ou outras bebidas menos processadas parece ser uma estratégia mais saudável para proteger o fígado ao longo prazo.
- Há ainda muitos fatores individuais que pesam: genética, presença de sobrepeso ou obesidade, hábitos alimentares, prática de exercício, consumo de álcool, entre outros.
Os estudos recentes indicam que refrigerantes zero ou diet — embora pareçam uma alternativa “mais leve” — podem trazer riscos consideráveis ao fígado, especialmente quando consumidos diariamente. A troca por bebidas naturais, principalmente água, surge como uma das melhores formas de prevenção. Esse tipo de informação é importante para repensarmos escolhas alimentares que fazemos no dia a dia.