Ministério da Saúde investiga 217 notificações enquanto mortes seguem em análise: órgão alerta riscos e reforça fiscalização
O Brasil enfrenta uma grave crise de saúde pública com a confirmação de 29 casos de intoxicação por metanol, todos relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, segundo boletim do Ministério da Saúde. Além dos casos confirmados, há 217 notificações em investigação e 249 suspeitas já descartadas.
Distribuição dos casos e mortes confirmadas
A maior parte dos casos confirmados está concentrada em São Paulo (25), seguida de Paraná (3) e Rio Grande do Sul (1). Já os cinco óbitos confirmados ocorreram todos no estado de São Paulo. Outros 12 falecimentos ainda estão sob análise, com registros distribuídos por estados como Ceará, Minas Gerais, Pernambuco e Mato Grosso do Sul.
Os estados com mais notificações em investigação são: São Paulo (160 casos, 73,7% do total), seguido por Pernambuco, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Rondônia.
O que é o metanol e por que ele é tão perigoso
O metanol, também conhecido como álcool metílico, é uma substância química altamente tóxica usada em indústrias como solvente, em tintas, combustíveis, plásticos e até produtos anticongelantes. Diferente do etanol — presente nas bebidas alcoólicas comuns —, o metanol não é seguro para consumo humano.
Quando ingerido, o metanol é metabolizado pelo fígado e transformado em formaldeído e ácido fórmico, compostos que causam acidose metabólica, danos ao sistema nervoso central, lesões no fígado e cegueira irreversível. Mesmo pequenas quantidades podem causar sintomas graves, e doses mais elevadas podem ser letais.
Os sintomas de intoxicação por metanol incluem tontura, náuseas, dor abdominal, vômitos, dificuldade para respirar e alterações na visão. Em casos graves, a evolução pode levar à cegueira permanente e morte.
Ações do governo e tratamento
Para conter o surto, o Ministério da Saúde criou uma Sala de Situação, que atualiza os dados três vezes por semana. O governo também adquiriu 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol, usado para neutralizar os efeitos tóxicos do metanol no organismo.
Nos hospitais, o tratamento inclui administração intravenosa de fomepizol (ou etanol), lavagem gástrica e hemodiálise, que ajudam a eliminar o metanol e seus metabólitos do corpo. O diagnóstico rápido e o atendimento imediato são fundamentais para evitar sequelas ou morte.
Medidas preventivas e fiscalização
O Ministério da Saúde, em conjunto com a Anvisa e as secretarias estaduais, reforçou a fiscalização de bebidas alcoólicas em bares, distribuidoras e pontos de venda. O objetivo é identificar e retirar do mercado produtos suspeitos ou sem registro. A população é alertada a não consumir bebidas de procedência duvidosa, especialmente aquelas vendidas em embalagens improvisadas ou sem selo fiscal.
Autoridades também investigam a origem do metanol utilizado na adulteração, com indícios de envolvimento de redes criminosas que desviam o produto de sua destinação industrial legal.
Casos semelhantes e histórico no Brasil
O país já registrou tragédias envolvendo metanol. Em 1990, um episódio conhecido como “cachaça da morte” deixou 24 pessoas mortas na Bahia após consumo de bebida adulterada. Outro caso marcante ocorreu em 2020, quando a Cervejaria Backer, em Minas Gerais, foi alvo de investigação por contaminação de cervejas com substâncias tóxicas, incluindo monoetilenoglicol e dietilenoglicol.
Esses episódios reforçam a necessidade de vigilância permanente e fiscalização rigorosa no setor de bebidas alcoólicas para evitar novas intoxicações em massa.
O Ministério da Saúde reforça: qualquer bebida suspeita deve ser denunciada às autoridades locais e jamais consumida. A prevenção é a principal arma contra esse tipo de tragédia.