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Trump eleva tarifa para 100% sobre produtos chineses e tensão comercial com a China volta à cena

Foto: REUTERS/Kevin Lamarque
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Decisão ocorre após Pequim restringir exportações de terras raras — movimento é visto como escalada na disputa econômica entre as superpotências

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pretende aplicar uma tarifa adicional de 100% sobre produtos importados da China a partir de 1º de novembro (ou antes), caso o governo chinês avance com restrições mais rígidas à exportação de terras raras.

Em sua rede social, Trump afirmou que a nova cobrança será “sobre e além” das tarifas já existentes — atualmente em torno de 30%. Além disso, ele anunciou que os Estados Unidos também devem impor novos controles de exportação sobre softwares considerados essenciais.

A decisão é uma resposta direta à recente iniciativa da China de incluir cinco elementos químicos nas restrições de exportação, ampliando o controle sobre materiais relacionados às chamadas terras raras — elementos cruciais para a indústria de alta tecnologia. Trump acusou Pequim de agir de forma “hostil”, interferindo no fornecimento global desses minerais.

Com essa medida, o ex-presidente republicano reacende a tensão comercial entre as duas maiores economias do planeta, rompendo com a trégua que vinha sendo mantida nos últimos meses.


Por que as terras raras são tão importantes?

As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos usados em produtos e tecnologias essenciais, como celulares, carros elétricos, turbinas eólicas, satélites, mísseis, chips e equipamentos médicos. Apesar do nome, esses elementos não são exatamente raros na natureza, mas o processamento e a purificação deles exigem tecnologia sofisticada e alto custo ambiental.

Atualmente, a China domina o mercado global de terras raras, sendo responsável pela maior parte da extração, refinamento e produção de componentes baseados nesses materiais. Esse domínio confere ao país um poder estratégico, capaz de usar o setor como instrumento de pressão nas disputas econômicas e geopolíticas.

Quando Pequim restringe exportações, afeta diretamente cadeias globais de produção de equipamentos tecnológicos — algo que preocupa especialmente os Estados Unidos, que ainda dependem fortemente das importações chinesas para manter suas indústrias em funcionamento.


Reações dos mercados e riscos globais

O anúncio de Trump teve impacto imediato nos mercados financeiros. O índice norte-americano S&P 500 registrou queda superior a 2% após a declaração, refletindo o temor de uma nova guerra comercial entre EUA e China.

O setor de tecnologia foi um dos mais afetados, já que depende intensamente das terras raras para a fabricação de chips, sensores e componentes eletrônicos. Se as restrições chinesas forem mantidas, diversos países poderão enfrentar escassez de insumos e gargalos na produção.

Os Estados Unidos, por exemplo, ainda não possuem capacidade suficiente para processar grandes volumes desses elementos internamente, o que torna o país vulnerável a decisões externas.


E o Brasil — pode se beneficiar?

O Brasil surge nesse cenário como um potencial beneficiário da disputa. O país possui reservas estimadas em cerca de 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, ficando logo atrás da China em volume. Essas reservas estão concentradas principalmente em estados como Minas Gerais, Goiás e Bahia.

No entanto, transformar esse potencial em vantagem real exige investimentos em tecnologia, infraestrutura e políticas públicas que viabilizem a extração e o processamento desses materiais de forma sustentável.

Especialistas apontam que, com a busca global por novos fornecedores, o Brasil poderia atrair empresas estrangeiras interessadas em reduzir a dependência da China. Projetos em andamento, como o da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) e pesquisas em universidades federais, indicam um movimento crescente para explorar o setor.


Um novo tabuleiro geopolítico

A disputa entre EUA e China em torno das terras raras reforça como a economia global está diretamente ligada à tecnologia e aos recursos estratégicos. O controle desses elementos se tornou peça-chave nas negociações comerciais e diplomáticas.

Enquanto Washington tenta recuperar espaço e reduzir vulnerabilidades, Pequim usa sua posição dominante para garantir influência global. Para países como o Brasil, esse é um momento decisivo para definir políticas industriais e ambientais que permitam aproveitar suas reservas de maneira sustentável e estratégica.

Em um mundo cada vez mais tecnológico, quem controla os minerais críticos — como as terras raras — controla parte importante do futuro econômico e energético global.