Um ano depois, o que mudou não foi só o corpo — foi a forma de me enxergar.
Se alguém me dissesse há alguns anos que eu acordaria cedo, feliz da vida pra treinar, eu provavelmente riria alto. Eu sempre fui ativa, adoro dançar, me movimentar, participar de atividades em grupo. Mas confesso: a musculação nunca foi o meu amor. Aquela rotina solitária, cheia de repetições e máquinas, me deixava entediada.
Mesmo assim, eu tentava. Me esforçava. E, ainda assim, cheguei a uma fase em que o desânimo tomou conta. Por mais que eu soubesse o quanto o exercício me fazia bem, o corpo parecia não acompanhar a vontade. A energia foi ficando escassa, e, com ela, os cuidados comigo mesma também. A alimentação, a aparência, até a disposição para a terapia — tudo começou a escorregar. Eu estava me afastando de mim.
E foi justamente nessa fase que o crossfit apareceu na minha vida. E, olha… foi amor à primeira barra.
Logo nas primeiras aulas, percebi que ali havia algo diferente. O clima de grupo, a energia, a superação coletiva. Eu, que estava desacreditada, me vi novamente feliz por me movimentar. E, sinceramente, eu nunca imaginei que uma modalidade tão intensa pudesse me acolher tanto.
O corpo fala — e às vezes grita
Começar o crossfit aos 43 anos foi um misto de empolgação e susto.
Empolgação porque eu sentia que estava finalmente voltando pra mim.
Susto porque, logo de cara, o corpo começou a reclamar.
As dores musculares eram reais, as articulações protestavam, e até partes do corpo que eu nem lembrava começaram a se manifestar. A recuperação era mais lenta, o cansaço parecia dobrado, e os hormônios — ah, os hormônios — faziam questão de embaralhar tudo.
Depois dos 40, o corpo realmente muda. O metabolismo desacelera, o colágeno dá uma trégua, e a gente sente mais o impacto de cada esforço. Além disso, muitas mulheres nessa fase, assim como eu, enfrentam dores nas articulações, fadiga, alterações no sono e na disposição, que tornam o início de qualquer atividade um desafio.
Mas a verdade é que parar é o que piora tudo. A ciência mostra — e a experiência comprova — que o movimento é o que mantém o corpo vivo, forte e adaptável. O exercício certo, com acompanhamento e respeito aos limites, é o que nos devolve energia, equilíbrio e até serenidade.
Eu, por exemplo, tenho uma lesão no joelho desde muito nova. Por um tempo, achei que isso seria um impeditivo. Mas percebi que o fortalecimento certo é justamente o que protege — e não o que agrava. Hoje, mesmo com limitações, sigo treinando, respeitando meus dias e celebrando cada progresso.
O que realmente muda — por dentro e por fora
Em um ano, meu corpo mudou visivelmente — 23 quilos a menos, mais força, mais resistência. Mas o que realmente me transformou foi o que aconteceu por dentro.
O crossfit reacendeu em mim a vontade de viver com energia, de me desafiar, de cuidar de mim com prazer.
Voltei a prestar atenção no que como, sem radicalismos, mas com consciência. Passei a beber mais água, substituí o excesso de café por chá, comecei a usar creatina (que, aliás, tem feito maravilhas pela minha disposição e até pela memória!).
Mas o maior ganho foi emocional: me reconectei com o meu corpo e com a mulher que sou hoje.
Aos 44 anos, aprendi que não se trata de ter o corpo de 20 — e sim de ter vitalidade aos 40, 50, 60…
Aprendi que envelhecer não precisa ser sinônimo de declínio. Pode ser sinônimo de descoberta.
Entre dores e superações
As dores continuam aparecendo de vez em quando — e tudo bem.
Cada dor hoje tem um significado: é o corpo se adaptando, é o progresso se fazendo sentir.
Já sofri com exaustão, já pensei que fosse parar, já saí de treinos com as pernas tremendo e o coração disparado. Mas também já saí leve, vitoriosa, com a alma sorrindo.
Aprendi que força não é sobre levantar peso, é sobre não desistir de si mesma.
É entender que coragem não é ausência de medo, mas a decisão de seguir, mesmo quando o corpo (ou a mente) pede pra parar.
A comunidade que abraça
Uma das coisas mais especiais do crossfit é o sentimento de pertencimento.
Aquela “galera do box” vira uma pequena família. Cada conquista é comemorada em coro, cada dificuldade é entendida sem julgamento. E, quando comecei a compartilhar minha rotina nas redes, essa rede cresceu ainda mais.
Recebi dezenas de mensagens de mulheres me incentivando, outras dizendo que se inspiraram a começar ou voltaram a treinar depois de me acompanhar.
Algumas me contaram que estavam passando pelas mesmas dores, outras, que haviam redescoberto a vontade de se cuidar.
E foi aí que eu percebi: o propósito estava sendo cumprido.
A coluna Plena além dos 40 nasceu desse desejo — o de trocar experiências reais, de nos enxergarmos umas nas outras, de entender que todas passamos por altos e baixos, mas que juntas, somos mais fortes.
Recomeçar é o treino mais bonito
O crossfit me ensinou sobre persistência, disciplina e amor-próprio.
Mas, acima de tudo, me ensinou que recomeçar é um ato de coragem e maturidade.
Hoje, não me comparo mais, não busco aprovação.
Busco evolução — dentro e fora do box, no corpo e na alma.
Eu mudei por fora, sim. Mas mudei ainda mais por dentro.
Voltei a sentir orgulho de mim, da mulher que sou, da força que redescobri e da serenidade que conquistei.
E se eu puder te dizer uma coisa, amiga Plena, é essa:
Nunca é tarde pra se reencontrar com a sua força.
Às vezes, ela está adormecida, esperando o primeiro passo.
O exercício ideal não é o mais popular, o mais intenso ou o que “mais emagrece”.
O exercício ideal é aquele que te faz feliz o suficiente pra querer continuar.
Porque o corpo em movimento mantém a mente viva, e a alma… plena.
Não fique só por aqui, me acompanhe também no instagram. Por lá sempre posto conteúdos que falam muito sobre mim, e também sobre você e esse momento que vivemos plenamente após os 40.