Aprovada por 52 a 48, a medida do Senado dos Estados Unidos avança para a Câmara, mas enfrenta forte resistência e pode não se tornar prática
Na noite de terça-feira (28 de outubro de 2025), o Senado dos Estados Unidos aprovou uma resolução que busca revogar as tarifas de até 50% impostas sobre produtos brasileiros pelo então presidente Donald Trump. A votação terminou em 52 votos a favor e 48 contra.
A proposta tramita agora na Câmara dos Representantes, onde se espera forte bloqueio por parte dos republicanos, de forma que os efeitos práticos da medida permanecem incertos.
O que motivou as tarifas
As sobretaxas foram impostas por Trump a partir de julho de 2025, com base em uma declaração de emergência nacional que visava justificar tarifas sobre importações do Brasil — numa alegação de que o país representava uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança, política externa e economia dos EUA.
Entre os produtos mais afetados estavam itens de exportação brasileiros que agora sofrem com a incerteza.
A votação no Senado e o gesto simbólico
O senador Tim Kaine, democrata da Virgínia, apresentou a medida e argumentou que a emergência nacional invocada havia sido usada de forma indevida: “Uma emergência não existe porque o Brasil processou um amigo de Donald Trump”, questionou.
Cinco senadores republicanos romperam com a linha do partido e votaram com os democratas: Rand Paul, Susan Collins, Lisa Murkowski, Thom Tillis e Mitch McConnell, evidenciando o caráter bipartidário da medida no Senado.
Apesar da aprovação, especialistas e parlamentares reconhecem que o impacto real é limitado enquanto a Câmara não agir — e há clara expectativa de que o texto seja arquivado.
O cenário para o Brasil
Do ponto de vista brasileiro, a aprovação no Senado é recebida como um sinal diplomático importante, mas com cautela. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, entende que trata-se de um gesto político e que a manutenção ou revogação efetiva das tarifas dependerá de muitos fatores, incluindo a Câmara americana, eventuais vetos presidenciais e novas negociações comerciais.
Caso as tarifas sejam efetivamente revogadas, isso pode aliviar custos de exportação para empresas brasileiras e abrir caminho para reaproximação comercial com os EUA. Por outro lado, se o bloqueio persistir, permanece o risco de danos adicionais às exportações e às relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Perspectivas e próximos passos
Nos próximos dias, o texto seguirá para a Câmara dos Representantes, o que provavelmente será o último obstáculo relevante. Como o partido republicano possui maioria lá e já bloqueou iniciativas similares, o resultado está longe de garantido.
Paralelamente, o episódio insere-se em um quadro mais amplo de tensões comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos em 2025, envolvendo tarifas, sanções e ofensivas políticas.
Fica em aberto também a possibilidade de negociações bilaterais serem reforçadas a partir deste impasse, com o Brasil buscando garantir maior previsibilidade para suas exportações e o mercado dos EUA pressionando por termos mais favoráveis.