Conferência reúne líderes mundiais em Belém em um momento decisivo para o Acordo de Paris, com pressões por compromissos mais firmes e participação ativa de povos da floresta.
A COP30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, começou oficialmente em Belém, no Pará, marco histórico por ser a primeira vez em que a maior reunião climática do mundo acontece no coração da Amazônia. A escolha da cidade reforça uma mensagem direta: discutir clima significa discutir, de forma central, a preservação de florestas, o respeito aos povos que nelas vivem e o enfrentamento das desigualdades produzidas pela crise climática.
A conferência reúne chefes de Estado, ministros, representantes de organizações ambientais, cientistas, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e movimentos sociais. São esperadas delegações de mais de 190 países, com negociações que devem se estender ao longo de duas semanas.
O que está em jogo
A COP30 acontece em um momento considerado decisivo para o futuro do Acordo de Paris, tratado global que busca limitar o aquecimento da Terra a 1,5°C até o final do século. No entanto, segundo relatórios científicos recentes, o planeta já se aproxima desse limite, com recordes de temperatura e eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.
Entre os principais pontos de negociação estão:
- Transição energética: reduzir o uso de combustíveis fósseis e ampliar energias renováveis.
- Financiamento climático: garantir que países ricos cumpram a promessa de apoiar financeiramente países em desenvolvimento na adaptação à crise climática.
- Justiça climática: reconhecer que comunidades indígenas e povos tradicionais são guardiões da floresta e devem ter papel central e respeitado nas decisões.
- Proteção da Amazônia: reforçar compromissos para combater o desmatamento e promover desenvolvimento sustentável na região.
Vozes da floresta ganham protagonismo
Pela primeira vez em uma COP, delegações de povos da Amazônia ocupam espaço de destaque não apenas como convidados, mas como negociadores e formuladores de propostas. Lideranças indígenas têm reforçado que não é possível discutir clima sem garantir territórios protegidos, combate ao garimpo e ao desmatamento ilegal, e investimentos em soluções que respeitem as formas tradicionais de viver.
Para essas comunidades, a luta ambiental é também luta por permanência, cultura e sobrevivência.
Debates sobre combustíveis fósseis e responsabilidade global
Uma das discussões mais tensas da conferência envolve o futuro da produção de petróleo, carvão e gás. Países que dependem economicamente da exploração de combustíveis fósseis resistem a metas rígidas de eliminação, enquanto nações mais vulneráveis cobram ações imediatas, já que sofrem os efeitos mais severos da crise climática, como secas prolongadas, enchentes e perda de biodiversidade.
Especialistas afirmam que a credibilidade global no enfrentamento ao clima depende do avanço dessas negociações. Caso não haja compromisso firme, cientistas alertam para riscos irreversíveis ao equilíbrio do planeta.
Expectativas iniciais
Apesar da complexidade das pautas, há expectativa de avanços, principalmente devido ao simbolismo de realizar a COP no bioma que concentra a maior floresta tropical do mundo. A presença da Amazônia “ao redor das mesas de decisão” torna impossível ignorar os impactos diretos da destruição ambiental.
Organizações ambientais destacam que a COP30 pode ser lembrada como um marco histórico: o momento em que o mundo precisou escolher entre ação ou retrocesso no combate à crise climática.