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Centenário de Mãe Stella de Oxóssi é celebrado com seminário e homenagem na Bahia

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A cultura afro-brasileira, a literatura negra e o legado espiritual da ialorixá ganham destaque em eventos especiais promovidos pela Academia de Letras da Bahia e parceiros

A Bahia vive um momento de reverência e celebração com os 100 anos do nascimento de Mãe Stella de Oxóssi (1925–2018), uma das lideranças mais respeitadas da cultura afro-brasileira. Para marcar essa data tão significativa, diversas atividades estão sendo promovidas, incluindo seminários, concertos, ações culturais e homenagens que resgatam sua memória e reforçam sua importância para a fé, a literatura e a identidade negra no Brasil.

A Academia de Letras da Bahia (ALB) abriu oficialmente as comemorações em 2 de maio, data em que Mãe Stella completaria 100 anos. Nesse dia, foi lançado o Instituto Mãe Stella de Oxóssi, acompanhado da assinatura de um protocolo de parceria entre a ALB e o novo instituto. O objetivo é desenvolver ações sociais, culturais e educativas voltadas para mulheres, jovens, crianças, famílias em situação de vulnerabilidade e comunidades negras, fortalecendo o legado humanitário da ialorixá.

Como parte da programação, a ALB também promoveu o seminário “Ofá: Diálogos Profundos”, inserido no Novembro Negro. A atividade contou com rodas de conversa, apresentações culturais e exibição do filme Café com Canela. Pesquisadores, escritores, educadores e familiares de Mãe Stella participaram do evento, entre eles o sobrinho da ialorixá, Adriano Azevedo, que atualmente dirige o Instituto. As discussões abordaram identidade ancestral, saberes negros, religiosidade e o papel de Mãe Stella como ponte entre espiritualidade, intelectualidade e cidadania.

As homenagens também tomaram forma na música. A Orquestra Afrosinfônica, sob regência do maestro Ubiratan Marques, está preparando o concerto “Meu Tempo é Agora”, que será apresentado na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador. O espetáculo reunirá grandes nomes da música baiana e da cultura afro-brasileira, como Mariene de Castro, Lazzo Matumbi, Gerônimo Santana, o Coral do Ilê Axé Opô Afonjá, Filhos de Gandhy e o Bando de Teatro Olodum. O show integra a programação do Novembro Negro e reforça a mensagem de ancestralidade, resistência e celebração das raízes africanas. O acesso será mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível.

Outra homenagem importante virá da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), que apresentará o concerto “Odé Nfè”. A proposta é unir música erudita às cantigas litúrgicas do Candomblé, criando uma ponte entre a tradição ancestral e a linguagem sinfônica contemporânea em uma celebração profundamente espiritual.

O projeto Agô Bahia, da Secretaria de Turismo da Bahia, também integra a programação especial. A iniciativa apoia o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá como espaço cultural e turístico, com ações voltadas à preservação, capacitação e inclusão social. As atividades reforçam não apenas a memória de Mãe Stella, mas o reconhecimento das religiões de matriz africana e da educação antirracista.

Mãe Stella, yalorixá, escritora, pesquisadora e imortal da Academia de Letras da Bahia, deixou um legado que ultrapassa os limites do Candomblé. Ela aproximou a tradição afro-brasileira da academia, da sociedade e da educação, defendendo o diálogo entre fé, cultura e cidadania. Seu centenário reafirma a força de uma mulher que marcou a história da Bahia e do Brasil, e cujas contribuições continuam inspirando ações de justiça cultural, respeito e ancestralidade.