No centro histórico de Salvador, o ator compartilha suas memórias, inspirações africanas e a ancestralidade com jovens por meio da literatura e da cultura.
No dia 16 de novembro de 2025, o ator, escritor e importante figura cultural Lázaro Ramos promoveu um momento especial no Pelourinho, centro histórico de Salvador. Ele organizou um tour educativo com 25 crianças de escolas públicas baianas e aproveitou o encontro para lançar seu novo livro infantil, “Descobrindo a Minha História”.
Um passeio para aprender sobre memória e ancestralidade
O tour começou no início da tarde e reuniu alunos do Instituto Odara Oritheti Ayomide e do Grupo de Mulheres do Alto das Pombas. As crianças percorreram locais importantes para a memória negra em Salvador: visitaram a Praça Zumbi dos Palmares, assistiram a uma roda de capoeira no Largo do Cruzeiro e encerraram a caminhada no Largo do Pelourinho, onde participaram de uma roda de conversa em frente à Fundação Mestre Bimba.
Durante o percurso, Lázaro compartilhou histórias, falou sobre a importância da ancestralidade e lembrou momentos marcantes de sua trajetória, incluindo suas origens no Bando de Teatro Olodum, que foi essencial para sua formação artística.
O nascimento do livro
A ideia para o livro “Descobrindo a Minha História” surgiu após uma viagem de Lázaro à Etiópia, especialmente à região do Rio Omo, onde ele se conectou com memórias da infância e histórias da Ilha do Pati. No livro, um avô narra aos netos histórias ancestrais, reforçando raízes africanas e os laços entre gerações.
As ilustrações da obra são inspiradas nas paisagens etíopes e nas pinturas corporais típicas dos povos do Rio Omo, trazendo um visual que reforça a diversidade e a riqueza das culturas africanas.
Conversa com as crianças e representatividade
Durante o encontro, Lázaro Ramos reforçou a importância de ouvir os mais velhos: “Escutar os mais velhos faz com que a gente aprenda sobre a nossa história”, disse ele. O ator destacou que conhecer o passado é essencial para entender o presente e evitar repetir erros.
Ele também falou do desejo de ser uma referência positiva para as crianças. Muitas delas se emocionaram, e algumas dividiram seus sonhos e impressões. A jovem Júlia Yndilyine disse que se sentiu representada: “É muito importante que meninas e meninos negros vejam o que podem fazer.” Já Davi, de apenas 10 anos, contou que aprendeu muito e agora quer correr atrás dos próprios sonhos — seja no futebol ou na sala de aula, como professor.
Ação de memória e educação
A iniciativa foi realizada em parceria com o Instituto RioMemóriaAção e a Editora Sextante, com o objetivo de conectar as crianças à ancestralidade e ao conhecimento histórico. Os organizadores reforçaram a importância de levar os jovens a espaços de memória negra de Salvador, mostrando que a história não vive apenas na internet, mas está presente nos monumentos, nas ruas e na arquitetura da própria cidade.
Literatura, cultura e futuro
Para Lázaro Ramos, mais do que lançar um livro, o momento representou plantar sementes. Ele acredita que crianças negras precisam se ver como protagonistas e sentir que têm espaço na literatura, na cultura e na sociedade. Também reforçou que todas as crianças — negras ou não — devem aprender a valorizar a diversidade, que é parte essencial da identidade brasileira.
O livro chega como uma ferramenta de incentivo à leitura e ao fortalecimento de valores como afeto, ancestralidade e pertencimento — elementos fundamentais para formar uma nova geração consciente de suas raízes e preparada para construir o próprio futuro.