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O Fim de uma Era de Medo: A Queda de “El Mencho” e o Futuro Incerto do México

crédito: AFP
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A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o líder do Cartel Jalisco Nova Geração, mergulha o país em uma onda de retaliações e levanta dúvidas sobre quem assumirá o vácuo deixado pelo criminoso mais procurado do mundo.

O México amanheceu sob uma tensão que há muito não se via. A notícia que correu o mundo no último domingo (22) não foi apenas mais uma operação policial, mas o encerramento de um dos capítulos mais violentos da história do narcotráfico moderno. Nemesio Oseguera Cervantes, o temido “El Mencho”, fundador e líder absoluto do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), foi morto durante uma operação estratégica das forças especiais do exército mexicano.

A ação, que contou com um suporte fundamental de inteligência dos Estados Unidos, aconteceu na pequena cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco — o berço e fortaleza do grupo. O confronto foi digno de cinema, mas com consequências reais e trágicas. El Mencho foi ferido durante a troca de tiros e, embora os militares tenham tentado transportá-lo via aérea para a Cidade do México para garantir sua custódia, ele não resistiu aos ferimentos e faleceu durante o trajeto.

Um rastro de destruição e retaliação A resposta do cartel à morte de seu “patrono” foi imediata e brutal. Em uma tática conhecida como “narcobloqueios”, membros do grupo incendiaram ônibus, caminhões e carros particulares em mais de 250 pontos espalhados por 20 estados mexicanos. O objetivo era claro: paralisar o país e desafiar a autoridade do Estado.

Cidades turísticas como Puerto Vallarta viram suas ruas serem tomadas por fumaça preta, levando países como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido a emitirem alertas urgentes para que seus cidadãos não saiam de casa ou de seus hotéis. Até o momento, o saldo é pesado: pelo menos 25 membros da Guarda Nacional perderam a vida tentando conter o caos, além de dezenas de mortos entre os criminosos.

Quem foi o “Senhor dos Galos”? El Mencho não era um criminoso comum. Ex-policial, ele construiu o CJNG com uma disciplina militar e uma crueldade que chocou até mesmo os veteranos do crime organizado. Ele assumiu o posto de “inimigo número 1” após a prisão de El Chapo Guzmán, e sob seu comando o cartel se tornou o principal fornecedor de fentanil — a droga que causa uma crise de saúde pública sem precedentes nos EUA. O governo americano oferecia nada menos que 15 milhões de dólares por sua cabeça.

O que vem agora? O perigo do vácuo de poder Especialistas em segurança pública alertam que, embora a morte de El Mencho seja uma vitória simbólica enorme para o governo de Claudia Sheinbaum, o cenário futuro é preocupante. Sem um sucessor natural e claro, a tendência é que o cartel se fragmente em células menores e mais violentas, disputando cada palmo de território.

Além disso, grupos rivais, como o Cartel de Sinaloa, podem aproveitar o momento de instabilidade para tentar retomar rotas de tráfico, o que pode escalar ainda mais a guerra urbana. O governo mexicano já mobilizou mais de 10 mil militares para as áreas mais críticas, mas a sensação é de que o país está apenas no começo de uma nova e turbulenta fase.