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Governo Trump tentou banir máquinas de votação eletrônica alegando falhas de segurança

Foto: REUTERS/Evan Vucci
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Plano articulado por conselheiros e agências de inteligência buscava retirar equipamentos sob pretexto de ameaça externa e implementar contagem manual de votos, mas falhou por falta de provas.

Uma tentativa de intervenção direta no sistema eleitoral dos Estados Unidos movimentou os bastidores do governo de Donald Trump. O encarregado da segurança eleitoral da gestão republicana tentou proibir, no ano passado, o uso de máquinas de votação eletrônica adotadas em mais da metade dos estados americanos. A estratégia consistia em pressionar o Departamento de Comércio para declarar os componentes dos equipamentos como riscos à segurança nacional, de acordo com informações de bastidores obtidas por fontes próximas ao assunto.

O principal articulador da medida foi o advogado Kurt Olsen, assessor da Casa Branca encarregado por Trump de dar sustentação a teorias sobre fraudes nas eleições — teses que já haviam sido amplamente desmentidas. O foco central do ataque foi a empresa Dominion Voting Systems, fornecedora dos aparelhos. O objetivo de Olsen era forçar a transição para um sistema totalmente manual com cédulas de papel, uma exigência repetida com frequência pelo próprio ex-presidente. Contudo, especialistas em segurança alertam que a contagem manual é menos precisa, mais demorada e potencialmente mais suscetível a fraudes e erros humanos do que o modelo auditável atual, que combina tecnologia e registros impressos.

O plano para desativar as máquinas avançou de forma concreta. Em setembro, funcionários do Departamento de Comércio chegaram a estudar os fundamentos jurídicos e técnicos que poderiam justificar a proibição. O projeto acabou fracassando porque Olsen e outros aliados da administração não conseguiram apresentar nenhuma evidência que sustentasse as acusações de vulnerabilidade. O movimento é visto por analistas como parte de uma tentativa mais ampla do governo federal de usurpar a autoridade constitucional dos estados e municípios norte-americanos, que possuem a autonomia legal para organizar e conduzir os pleitos.

A caça por chips estrangeiros e o fantasma venezuelano

A base da argumentação de Kurt Olsen apoiava-se em uma teoria conspiratória derrubada por sucessivas investigações: a de que as urnas da Dominion continham um código oculto controlado pelo governo da Venezuela para prejudicar a candidatura de Trump. Nenhuma auditoria encontrou indícios de invasão cibernética estrangeira no sistema. Inclusive, em um desdobramento judicial anterior, a emissora Fox News chegou a pagar 787 milhões de dólares à Dominion em um processo por difamação decorrente da reprodução dessas falsas acusações.

Na tentativa de encontrar provas materiais, uma força-tarefa liderada por Olsen confiscou máquinas utilizadas nas eleições de Porto Rico. Ao desmontarem os aparelhos, os técnicos da equipe esperavam encontrar componentes fabricados por nações consideradas “adversárias geopolíticas”. No entanto, a perícia revelou apenas chips convencionais produzidos pela empresa americana Intel na China, além de outras peças fabricadas no Japão, Coreia do Sul e Malásia — componentes padrão de mercado que não representam ameaça estratégica.

Apesar das negativas formais e da falta de embasamento técnico, que levaram o Departamento de Comércio a arquivar a análise sem tomar providências, o tema segue gerando atritos políticos. Enquanto assessores da Casa Branca e da inteligência americana minimizam os relatos classificando-os como vazamentos seletivos, parlamentares democratas e especialistas em integridade eleitoral manifestam preocupação de que tais investidas busquem enfraquecer a confiança pública no processo de votação e justificar futuros questionamentos dos resultados das urnas.