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A Força da Natureza: Manguezais Revertem Décadas de Destruição e Voltam a Crescer no Planeta

Getty Images
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Estudo global aponta virada histórica com expansão natural e recuperação de florestas costeiras desde 2010

Os manguezais, fundamentais para a proteção das zonas litorâneas e considerados um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta, estão protagonizando uma reviravolta surpreendente. Após décadas sofrendo com a degradação provocada pela atividade humana — impulsionada pela expansão urbana, agricultura e criação de camarões (aquicultura) —, essas florestas costeiras estão revertendo o seu ritmo de declínio e voltando a crescer de forma inesperada ao redor do globo.

Um amplo estudo publicado na prestigiada revista científica Science, liderado pelo pesquisador Zhen Zhang, da Universidade de Tulane (EUA), utilizou quatro décadas de dados de satélite para mapear a evolução desse ecossistema. Os resultados acenderam uma luz de esperança: as taxas de destruição caíram drasticamente desde a década de 1980 e, a partir de 2010, o mundo passou a registrar um ganho líquido na extensão das áreas de manguezal, superando os prejuízos acumulados nas últimas décadas. Graças a essa recuperação e à expansão natural em direção ao mar, a perda total acumulada desde os anos 80 recuou para apenas cerca de 0,5%.

Segundo os cientistas, o avanço do mar sobre novas planícies de lama costeiras e o aumento no fluxo de sedimentos e nutrientes trazidos pelos rios têm favorecido o surgimento espontâneo de novas árvores. “Estamos seguindo na direção certa”, afirmou Zhang em entrevista, destacando que os manguezais existentes também estão se fortalecendo. A proporção de áreas com dossel fechado — aquelas florestas mais densas, ricas em biodiversidade e capazes de absorver imensos volumes de carbono — cresceu cerca de 20% no período.

Desafios Locais e Alerta Climático

Apesar do cenário global animador, a recuperação não acontece de maneira uniforme. O pesquisador Pete Bunting, da Universidade de Aberystwyth (Reino Unido) e coautor do estudo, alerta que a integridade dos rios é crucial para manter esse processo em equilíbrio. O estudo pontua que regiões como a África Central e Oriental ainda enfrentam focos intensos de destruição. O delta do rio Níger, por exemplo, é apontado como um símbolo dos impactos severos causados pela poluição do petróleo e pela instalação de oleodutos. Além disso, eventos climáticos extremos, como ciclones tropicais na Austrália e no Caribe, seguem como ameaças anuais severas à integridade dessas áreas.

Ainda assim, a capacidade de regeneração demonstrada pelo ecossistema reforça a tese de que a natureza possui uma resiliência subestimada. A descoberta serve como um forte argumento para governos e comunidades intensificarem os esforços de conservação: conter o desmatamento local pode fazer com que os manguezais ganhem ainda mais terreno, garantindo sua função essencial de barreira contra tempestades e aliada vital contra o aquecimento global.