Veterano assume o protagonismo em empate histórico, carrega homenagem ao futebol brasileiro no nome e celebra trajetória marcante construída com resiliência
A estreia da seleção de Cabo Verde na Copa do Mundo de 2026 garantiu um resultado histórico nesta segunda-feira, em Atlanta. O empate sem gols contra a poderosa seleção da Espanha teve como grande protagonista o goleiro Josimar José Évora Dias, popularmente conhecido como Vozinha. Aos 40 anos de idade, completados há apenas uma semana, ele se destacou como um dos atletas mais experientes do torneio mundial e foi o principal responsável por segurar a pressão espanhola e manter o placar zerado.
O desempenho seguro consolida Vozinha como uma das figuras mais emblemáticas e queridas do futebol cabo-verdiano. Curiosamente, a trajetória do camisa 1 possui conexões profundas com o Brasil, a começar pelo seu nome de batismo. Josimar é uma homenagem direta a Josimar Higino Pereira, ex-lateral-direito do Botafogo que brilhou pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1986.
Já o famoso apelido “Vozinha” carrega uma história familiar de afeto e superação. Em entrevista ao site oficial da Fifa, o goleiro revelou que foi criado pelos avós na ilha de São Vicente, pois seu pai estava no serviço militar e sua mãe precisava trabalhar integralmente. Por ser mais novo do que os outros garotos com quem jogava bola na rua, acabou adotando o codinome que o acompanha até hoje.
Trajetória tardia e marcas históricas
A presença na Copa do Mundo de 2026 coroa uma carreira construída com paciência. Ao contrário da maioria dos jogadores profissionais, Vozinha teve uma transição tardia para o futebol internacional, deixando Cabo Verde somente aos 25 anos para defender o Progresso do Sambizanga, em Angola. Logo depois, estreou na seleção nacional na vitória por 2 a 0 contra Camarões, partida que carimbou a inédita classificação do país para a Taça das Nações Africanas de 2013.
Defendendo o gol de seu país, o atleta alcançou contra a Espanha a marca de 90 partidas oficiais. Com esse número, ele se isola como o segundo jogador com mais atuações na história da seleção de Cabo Verde, ficando atrás apenas de Ryan Mendes, que acumula 96 jogos.
Sem vínculo atual com nenhum clube após o encerramento do seu contrato com o CD Chaves, de Portugal, pouco antes do Mundial, o veterano exibe no currículo passagens por equipes de diferentes ligas, como Zimbru Chișinău, AEL Limassol, AS Trenčín e Gil Vicente FC. Agora, o foco do experiente arqueiro está totalmente voltado para continuar fazendo história com as cores de Cabo Verde nos gramados da Copa do Mundo.