O fenômeno raro, conhecido como pirocumulonimbus, torna as chamas mais imprevisíveis, gera raios e dificulta o trabalho dos bombeiros no sudoeste do país.
Os incêndios florestais de grande proporção que atingem o sudoeste da França alcançaram um nível de intensidade tão alto que passaram a alterar o tempo ao seu redor. De acordo com as autoridades locais de combate a incêndios, o calor extremo gerou formações conhecidas como “nuvens de fogo” ou pirocumulonimbus, capazes de criar um sistema meteorológico próprio.
O fenômeno ocorre quando o calor intenso do fogo faz com que grandes massas de ar quente subam rapidamente para a atmosfera. Ao atingir camadas mais frias, esse ar se condensa e forma nuvens gigantescas de tempestade. Essa dinâmica própria costuma produzir fortes ventos, chuvas e até raios.
Apesar de parecer uma reação natural que ajudaria a conter o fogo, a formação dessas nuvens traz riscos adicionais. Os raios gerados pela tempestade de fogo podem provocar novos focos de incêndio em áreas distantes. Além disso, as alterações repentinas no vento tornam o avanço das chamas imprevisível, complicando ainda mais a rotina das equipes de resgate.
De acordo com Mark Vermeulen, chefe do serviço de bombeiros e resgate da região de Gironde, esse tipo de formação nunca havia sido registrado no país até então.
A gravidade do cenário mobiliza diferentes nações europeias. Diante do avanço do fogo no sudoeste francês e em regiões da vizinha Espanha — onde mais de 300 mil pessoas precisaram deixar suas casas ou ser retiradas de áreas de risco —, governos acionaram o mecanismo de cooperação da União Europeia e receberam reforços com aeronaves, helicópteros e equipes terrestres enviadas por países como Itália, Grécia, Portugal, Suíça e Turquia.