Ministério da Saúde vai submeter a incorporação do cabotegravir à avaliação da Conitec em agosto; medicamento é aplicado a cada dois meses e promete facilitar a adesão ao tratamento preventivo.
O Sistema Único de Saúde (SUS) pode ganhar, ainda em 2026, um importante reforço na estratégia de prevenção contra o HIV. O Ministério da Saúde anunciou que encaminhará à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) o pedido de inclusão do cabotegravir, um medicamento injetável de longa duração voltado para a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). A análise está prevista para acontecer na próxima reunião do órgão, no mês de agosto.
Diferente da PrEP oral tradicional oferecida gratuitamente pelo SUS — que exige o uso diário de comprimidos —, o cabotegravir é administrado por meio de injeções a cada dois meses. O medicamento atua impedindo a replicação do vírus no organismo e surge como uma alternativa altamente eficaz para pessoas que enfrentam dificuldades para manter a rotina de medicação diária. Estudo de vida real divulgado pelas farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK indicou uma taxa anual de infecção pelo HIV de apenas 0,1% entre os usuários do fármaco.
Durante o anúncio, realizado antes da abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o governo federal negocia com a farmacêutica GSK o preço final e o volume de doses para assegurar a sustentabilidade do sistema público. Padilha ressaltou a importância de ofertar tecnologias avançadas a preços adequados, afirmando que “inovação sem acesso é injustiça”.
A ampliação das formas de prevenção se soma a outros avanços recentes no combate ao vírus no Brasil. Segundo dados da Unaids e do Ministério da Saúde, a oferta de testes rápidos de HIV no SUS cresceu 100% nos últimos três anos. Atualmente, 22% dos pacientes diagnosticados iniciam o tratamento no mesmo dia da confirmação da infecção, e mais da metade começa a terapia antirretroviral em até 30 dias. A decisão final sobre a incorporação do cabotegravir ao SUS caberá ao Ministério da Saúde após a recomendação técnica da Conitec