Com os novos registros, sobe para 13 o total de pacientes que atingiram a ausência do vírus após transplantes de células-tronco; especialistas reforçam que procedimento é restrito e de alto risco.
Cientistas e médicos anunciaram, durante a 26ª Conferência Internacional de Aids realizada no Rio de Janeiro, dois novos casos de remissão sustentada do vírus HIV. Com estes novos registros, o número total de pacientes no mundo que conseguiram atingir o controle do vírus sem a necessidade de remédios antirretrovirais subiu de 11 para 13.
Os dois pacientes apresentados estão há 14 e 12 meses, respectivamente, sem tomar os medicamentos diários e sem qualquer carga viral detectável no organismo. Um dos casos envolve o chamado “Paciente de Kansas City”, jovem de 21 anos diagnosticado em 2018 com HIV e uma forma agressiva de leucemia. O segundo paciente contava com histórico simultâneo de infecção por HIV e hepatite B.
Em ambos os casos, a interrupção do tratamento antirretroviral ocorreu após a realização de transplantes de células-tronco para tratar doenças graves do sangue, e não diretamente para combater o HIV. Os doadores de medula óssea possuíam uma rara mutação genética, chamada CCR5-delta32, que impede a entrada das variantes mais comuns do vírus nas células do sistema imunológico.
Apesar do otimismo da comunidade médica, especialistas e pesquisadores reitera que o transplante de células-tronco envolve altos riscos e exige procedimentos extremamente delicados, não sendo uma alternativa viável para a cura em larga escala na população geral. O achado, porém, serve de guia científico fundamental para o desenvolvimento de novas pesquisas voltadas a terapias genéticas e imunológicas mais seguras e acessíveis no futuro.