Tecnologia que começou a ser adotada no futebol brasileiro promete mais agilidade no VAR, mas depende do traçado de linhas feito por operadores e não usa sensores dentro da bola.
A chegada da tecnologia de impedimento semiautomático ao Campeonato Brasileiro marcou um avanço na arbitragem do futebol nacional. No entanto, o sistema utilizado nos gramados brasileiros possui diferenças significativas em relação à versão adotada pela Fifa na Copa do Mundo e em grandes competições europeias. A principal distinção está no grau de automação e na infraestrutura de hardware instalada nos estádios.
No modelo implementado no Brasil, a tecnologia baseia-se na detecção por câmeras de alta precisão espalhadas pelas arenas. Esse conjunto de imagens é processado por softwares capazes de rastrear os corpos dos atletas e gerar reconstituições tridimensionais das jogadas. Contudo, a identificação do exato momento em que a bola é lançada — o chamado ponto de contato ou frame do passe — ainda é realizada de forma manual por operadores do VAR. O sistema do Brasileirão também exige que os técnicos definam manualmente os pontos anatômicos dos jogadores para o traçado das linhas no monitor.
Em contrapartida, o sistema da Copa do Mundo utiliza uma tecnologia mais robusta, conhecida como Connected Ball Technology. Na competição internacional, a própria bola oficial conta com um sensor posicionado no centro de sua estrutura, capaz de enviar dados de movimento centenas de vezes por segundo ao centro de arbitragem. Isso permite detectar com precisão milimétrica e de forma 100% automática o instante exato do passe, sem interferência humana para determinar o frame.
Apesar da dependência de etapas manuais no Brasileirão, o objetivo da ferramenta é reduzir o tempo de paralisação para análise de lances ajustados e diminuir a margem de erro em decisões de impedimento. O sistema atua como um suporte visual mais rápido para a equipe de arbitragem, embora a validação final da jogada continue sob a responsabilidade do juiz de campo e da cabine do VAR.