Governo paraguaio manifesta insatisfação diplomática, afirma que a “dignidade do país não é negociável” e chanceler confirma que Lula e Santiago Peña conversaram por telefone.
O governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil em Assunção para entregar uma nota oficial de protesto após declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança (também conhecida no Brasil como Guerra do Paraguai). Na prática diplomática, a convocação de um embaixador representa um forte sinal de descontentamento entre países.
A tensão teve início após um discurso proferido por Lula em Jacareí (SP). Na ocasião, ao defender investimentos no setor de defesa do Brasil, o presidente brasileiro relembrou o conflito do século XIX declarando: “A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos”.
As falas repercutiram negativamente no país vizinho. A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou uma declaração oficial de repúdio ao discurso, argumentando que a declaração do presidente brasileiro “distorce e minimiza” os fatos históricos, ignorando o sofrimento da população paraguaia e os antecedentes do conflito mais sangrento da América do Sul.
Em coletiva de imprensa, o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, afirmou que o governo compartilha do sentimento de indignação da população diante de um tema tão sensível da história nacional. Lezcano reforçou que a “dignidade do Paraguai não é negociável” e confirmou que os presidentes Santiago Peña e Lula conversaram diretamente por telefone sobre o assunto para tratar da questão no mais alto nível executivo.