Levantamento do MEC indica melhora nos índices de aprendizagem e aprovação escolar em todo o país, embora diferenças regionais e desafios na etapa final do ensino ainda persistam
Os dados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação (MEC), mostram que o Brasil alcançou os maiores patamares de sua série histórica, iniciada em 2005. O indicador, que avalia a qualidade do ensino a partir do desempenho dos estudantes nas provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em Língua Portuguesa e Matemática e das taxas de aprovação apuradas pelo Censo Escolar, registrou avanço em todas as etapas de ensino.
Nos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), o indicador geral do país subiu de 6 em 2023 para 6,3, enquanto na rede pública o índice passou de 5,7 para 6,1. Já nos anos finais (6º ao 9º ano), a nota geral avançou de 5 para 5,3 (alcançando 5,0 na rede pública). Por sua vez, o Ensino Médio registrou uma evolução mais tímida, passando de 4,3 para 4,5 no geral e atingindo 4,3 na rede pública.
Apesar da trajetória de crescimento e do avanço do fluxo escolar acompanhado da melhoria nas notas, duas das três etapas não atingiram as metas estipuladas pelo governo. Nos anos finais do Ensino Fundamental, a média nacional de 5,3 ficou abaixo da meta esperada de 5,5. O cenário é ainda mais desafiador no Ensino Médio, que obteve nota 4,5 diante de uma meta projetada de 5,2. Especialistas apontam que a etapa final da educação básica funciona como um termômetro que acumula defasagens de anos anteriores, além de sofrer com fatores como a evasão escolar e desigualdades socioeconômicas.
O levantamento também colocou em evidência as profundas disparidades entre as unidades da Federação. O estado do Paraná liderou o desempenho nacional em todas as etapas, registrando notas 7,0 nos anos iniciais, 5,9 nos anos finais e obtendo os maiores índices no Ensino Médio. Em contrapartida, estados das regiões Norte e Nordeste, como o Amapá — que registrou os menores índices nos anos iniciais (5,5) —, Roraima, Pará e Bahia, ficaram com médias significativamente abaixo do indicador nacional, ressaltando o desafio contínuo de equilibrar a qualidade do ensino público em todo o território brasileiro.