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Sobe para 281 o número de mortos por terremoto na Colômbia; buscas chegam ao quinto dia

Reprodução
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Com quase 4 mil feridos e centenas de desaparecidos, país enfrenta cenário devastador e inicia transição para remoção de escombros em áreas afetadas.

A Colômbia chegou nesta sexta-feira (14) ao quinto dia de operações de busca e resgate após o forte terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país na última segunda-feira (10). De acordo com os dados mais recentes divulgados pelo governo colombiano e pela Unidade Nacional para a Gestão de Riscos de Desastres (UNGRD), o número de mortos subiu para 281. O desastre já deixa 3.971 feridos e 379 pessoas continuam desaparecidas.

O abalo sísmico foi o mais forte a registrar no país nos últimos dez anos. Com epicentro localizado na região de Chocó, no oeste colombiano e próximo à costa do Pacífico, o tremor provocou graves estragos também nos departamentos de Valle del Cauca, Risaralda, Quindío e Caldas. Entre as cidades mais afetadas estão Cali, Pereira, Manizales e a região portuária de Buenaventura.

Desafios no resgate e diminuição das esperanças

Com o passar dos dias e após a marca das primeiras 72 horas — período considerado crítico pelos especialistas para localizar pessoas com vida —, as chances de encontrar sobreviventes diminuíram drasticamente. Em Cali, terceira maior cidade colombiana, grande parte das equipes começou a fazer a transição dos trabalhos de resgate para as tarefas de remoção de escombros.

“Infelizmente, estamos chegando a um ponto em que a probabilidade de encontrar sobreviventes está diminuindo, mas nossa missão é continuar procurando e encontrar todas as pessoas que foram dadas como desaparecidas”, declarou David Tamayo, chefe da UNGRD.

As operações contam com a atuação do Exército colombiano e o suporte de equipes internacionais especializadas em resgates em espaços confinados. O governo respondeu a críticas recentes sobre a gestão de apoio estrangeiro esclarecendo que aceita ajuda de qualquer nação, desde que os grupos atendam aos padrões internacionais de certificação exigidos.

Cenário de destruição e apoio internacional

O impacto sobre a infraestrutura e habitação é expressivo. O relatório atualizado aponta mais de 10,6 mil casas completamente destruídas e cerca de 65,8 mil danificadas. Além disso, foram contabilizados 127 edifícios desabados, 2.136 instituições de ensino impactadas, mais de mil centros comunitários atingidos e 216 unidades de saúde com danos.

Fora dos centros urbanos, a chegada de socorro enfrenta obstáculos severos. Organizações como o Comitê Internacional de Resgate relataram dificuldades de acesso a áreas da cidade de Buenaventura, onde moradores usaram as próprias mãos para procurar parentes em meio aos destroços. O fornecimento de água, gás e energia elétrica foi interrompido em diversos pontos, e a presença de grupos armados impediu a entrada de socorristas em determinados bairros.

Diante da dimensão da tragédia, a solidariedade internacional começou a ser mobilizada. A Organização das Nações Unidas (ONU) destinou US$ 5 milhões em recursos de emergência, enquanto a União Europeia, por meio da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um pacote de socorro de 2 milhões de euros (aproximadamente R$ 11,9 milhões).

Reconstrução e estado de emergência

A tragédia configura um dos primeiros grandes testes do presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o comando do país poucos dias antes do terremoto. O governo declarou situação de desastre nacional por um período de 12 meses e sinalizou que deve decreear estado de emergência econômica para criar um fundo específico voltado à reconstrução de moradias, escolas, hospitais e redes de infraestrutura.

O presidente apelou à cooperação do setor privado e das maiores empresas da construção civil da Colômbia para a recomposição do país. “Não superaremos essa tragédia sozinhos; como governo, precisamos do setor privado para reconstruir a Colômbia juntos”, afirmou de la Espriella.