Estudo desenvolvido em estruturas marinhas de Itaparica investiga se organismos brasileiros de rápido crescimento conseguem criar barreiras naturais contra animais exóticos.
Uma pesquisa científica desenvolvida na Baía de Todos-os-Santos está avaliando o potencial de esponjas marinhas nativas do Brasil para conter a fixação e proliferação de espécies invasoras em estruturas artificiais. O experimento prático ocorreu na Marina de Itaparica, onde placas com diferentes combinações desses organismos permaneceram submersas por seis meses, entre fevereiro e agosto.
O material foi retirado do mar recentemente e levado para triagem na sede da ONG PRÓ-MAR, localizada em Mar Grande, no município de Vera Cruz. No local, pesquisadores realizam a identificação dos seres vivos que povoaram as estruturas durante o período de imersão. Embora os dados ainda sejam preliminares, os cientistas preveem divulgar as conclusões definitivas no primeiro semestre de 2027.
Como o estudo é realizado
Construções marinhas feitas pelo ser humano, como portos, marinas e quebra-mares, oferecem superfícies homogêneas e mais simples do que os ambientes naturais formados por rochas. Essa característica costuma facilitar o assentamento de organismos exóticos trazidos por embarcações.
Para testar uma solução biológica para esse problema, o projeto instalou placas contendo uma, duas ou três espécies de esponjas locais. Por apresentarem crescimento veloz, a ideia é verificar se a ocupação prévia do espaço por esponjas nativas funciona como um bloqueio ao estabelecimento de espécies invasoras.
Segundo Edson Vieira, pesquisador da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e um dos condutores do estudo ao lado de Gustavo Dias, da Universidade Federal do ABC (UFABC), o objetivo central é avaliar se esses organismos nativos atuam como barreira protetora no substrato artificial.
Rede nacional e parcerias
A iniciativa faz parte da Rede IntegraMar, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Além da Bahia, testes idênticos são realizados em outros quatro estados do litoral brasileiro: Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Alagoas. A comparação integrada dos dados obtidos nas cinco regiões servirá de base para a criação de novas estratégias de gestão e preservação dos ecossistemas marinhos no país.
Na Bahia, o estudo é feito em parceria entre a UESC, a UFABC, o Laboratório de Ecologia Bentônica da Universidade Federal da Bahia (LEB-UFBA) e o Projeto Mares, que pertence à ONG Socioambientalista PRÓ-MAR. O Projeto Mares conta com a parceria da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Ricardo Miranda, coordenador científico do Projeto Mares e integrante do LEB-UFBA, reforça que a análise do material coletado em laboratório ajudará a definir a eficácia real da técnica.