Massa de ar quente e seco eleva temperaturas na Amazônia, Centro-Oeste e Sudeste, enquanto o encontro do calor com frentes frias no Sul estimula temporais intensos.
O clima no Brasil entra em um período de forte instabilidade e extremos térmicos ao longo dos próximos dias. De acordo com monitoramentos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e órgãos regionais, uma intensa onda de calor atinge vastas áreas das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste, ao mesmo tempo em que a chegada de ar quente ao Centro-Sul alimenta temporais severos.
No estado de São Paulo, a Defesa Civil emitiu alerta vermelho para a onda de calor, que deve durar até a próxima quarta-feira (19). O fenômeno é impulsionado por uma massa de ar seco que atravessa o território paulista, provocando queda acentuada na umidade relativa do ar — que pode ficar abaixo dos 30% no extremo norte do estado durante os horários mais quentes. Diante do alto risco de incêndios florestais e em vegetações secas, as autoridades orientam que a população não realize queimadas, não use fogo para limpar terrenos e evite descartar bitucas de cigarro próximo a rodovias.
O cenário de calor intenso se espalha por outras partes do país. Modelos meteorológicos indicam que os termômetros podem superar os 38°C e alcançar até 40°C na região central da Amazônia (entre o Amazonas e o Pará) e em estados como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. Em capitais como Cuiabá, Goiânia, Teresina e Palmas, as máximas devem variar entre 37°C e 38°C. Junto ao calor, a umidade relativa do ar cairá a níveis críticos, podendo atingir até 11% no centro de Goiás.
Apesar da alta geral das temperaturas no interior paulista e no Sudeste, a capital de São Paulo terá um contraste térmico com máximas na casa dos 24°C, em razão do aumento de nebulosidade e chuvas isoladas na faixa leste.
Enquanto o interior do país seca e esquenta, o Centro-Sul enfrenta um padrão diferente. A chegada do ar quente e do fluxo de umidade na região encontra os resquícios de uma frente fria, criando um ambiente favorável para tempestades intensas entre a sexta-feira (14) e a segunda-feira (17). Os volumes de chuva podem variar entre 100 mm e 200 mm no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, podendo atingir até 300 mm no sul gaúcho e no Uruguai.
Especialistas apontam que a permanência e a intensidade do El Niño continuam desempenhando um papel decisivo no comportamento da atmosfera, prolongando o período seco e quente em diversas áreas e aumentando a incidência de chuvas fortes no Sul do Brasil.