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Adeus ao Poeta do Samba: Arlindo Cruz Parte Deixando um Legado Inesquecível

Foto: Reprodução
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Aos 66 anos, o cantor, compositor e multi-instrumentista Arlindo Cruz morre no Rio de Janeiro após combater por anos os efeitos de um AVC e complicações de saúde.

Na sexta-feira, 8 de agosto de 2025, o samba perdeu uma de suas almas mais vibrantes: faleceu no Rio de Janeiro o sambista Arlindo Cruz, aos 66 anos. Desde 2017, o músico enfrentava uma longa jornada de recuperação após sofrer um grave AVC enquanto tomava banho, que o deixou com sequelas profundas, incluindo a perda de fala e de boa parte dos movimentos corporais.

Ele esteve internado por aproximadamente 15 meses após o AVC e passou por múltiplas cirurgias, inclusive no crânio, além de ter enfrentado episódios graves como embolia pulmonar e infecções prolongadas. Mesmo após receber alta, Arlindo voltou diversas vezes ao hospital para tratar complicações respiratórias, incluindo pneumonia e infecções que exigiram internação em 2025. No apagar das luzes da vida, ele enfrentou também uma doença autoimune, foi traqueostomizado, e passou a se alimentar por sonda (GTT).

A trajetória de Arlindo Cruz é marcada por um talento raro. Natural de Madureira, Zona Norte do Rio, ganhou seu primeiro cavaquinho aos 7 anos e, ainda jovem, dividiu rodas de samba com mestres como Candeia, Beth Carvalho e Jorge Aragão. Em 1981, entrou para o grupo Fundo de Quintal, substituindo Jorge Aragão, e permaneceu por 12 anos, abrindo caminho para sua consagrada carreira solo iniciada em 1993.

Compositor prolifico, foi autor de entre 500 e 700 canções gravadas, entre elas sucessos que marcaram gerações como Meu Lugar, O Show Tem que Continuar, Bagaço da Laranja, Ainda é Tempo, entre tantos outros que ecoaram nas vozes de Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Alcione e muitas escolas de samba. Além da música, criou o Espaço Cultural Arlindo Cruz em Realengo, no Rio, com cursos artísticos para comunidades carentes.

Após anos de luta e superação, Arlindo Cruz faleceu no Hospital Barra D’Or, na Zona Oeste do Rio, vítima das complicações causadas pela pneumonia que tratava desde maio, agravadas por seu quadro de saúde debilitado.

A família compartilhou nas redes sociais uma nota de despedida emocionada, lembrando Arlindo como “um poeta do samba, um homem de fé, generosidade e alegria” que levou sua música e sua luz por onde passou. Com sua partida, o legado de Arlindo Cruz se mantém firme na memória e no coração do samba brasileiro.