A partir de 12 de outubro de 2025, 29 países europeus vão substituir o carimbo no passaporte por registro eletrônico com biometria — veja o que muda para viajantes brasileiros
A partir do dia 12 de outubro de 2025, os países que compõem o Espaço Schengen e outras nações europeias iniciarão uma mudança histórica no controle de fronteiras: não haverá mais carimbos nos passaportes de turistas vindos do Brasil e de outros países que têm isenção de visto.
O modelo tradicional, no qual um agente de imigração imprimia um selo no documento ao entrar ou sair, será substituído pelo EES — Entry/Exit System (Sistema de Entrada/Saída). Trata-se de uma plataforma digital que coleta e registra dados biométricos (foto do rosto e impressões digitais) e detalhes da entrada e saída do viajante.
O que muda na prática?
Na primeira viagem à Europa após a adoção do sistema, o viajante precisará passar por uma coleta de dados biométricos (rosto e digitais) no posto de imigração.
Nas viagens seguintes, como os dados já estarão armazenados no sistema, o processo tende a ser mais rápido e automatizado.
O EES também vai controlar o tempo de permanência permitido – para quem entra com isenção de visto, o limite continua sendo de até 90 dias dentro de um período de 180 dias.
A transição será gradual, com previsão de conclusão em 9 de abril de 2026. Até lá, em alguns pontos de fronteira, ainda poderá haver carimbos manuais.
Quais países adotam e quais ficam de fora?
O sistema será implementado por 29 países, abrangendo praticamente todos os integrantes da União Europeia (com exceção de Chipre e Irlanda), além de Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.
Importante destacar que Irlanda e Chipre não participarão desse sistema por enquanto, mantendo o modelo tradicional de controle com carimbo.
Também vale reforçar que o Reino Unido não faz parte do EES, já que não integra o Espaço Schengen. Portanto, nas viagens ao território britânico, ainda haverá carimbo no passaporte.
Por que essa mudança?
A União Europeia afirma que o EES tem como objetivo:
- Modernizar o controle de fronteiras, tornando o processo mais eficiente e padronizado;
- Aumentar a segurança, ajudando a detectar tentativas de permanência irregular ou o uso de documentos falsos;
- Evitar abusos na estadia e garantir maior precisão nos registros de entrada e saída.
O sistema está em conformidade com a legislação europeia de proteção de dados, embora críticos levantem preocupações sobre privacidade e segurança das informações pessoais armazenadas digitalmente.
Aspectos para o viajante brasileiro ficar atento
Mesmo com o EES, o passaporte continuará obrigatório para viajar — a diferença é que ele não receberá mais carimbos de entrada e saída.
Quem se recusar a fornecer os dados biométricos poderá ter a entrada negada no país europeu.
O uso de totens automatizados e aplicativos de pré-cadastro tende a agilizar o processo, reduzindo filas nos aeroportos.
Os dados biométricos coletados (foto e digitais) terão validade de até três anos, sendo necessário repetir o procedimento após esse período.
Apesar da automação, agentes de imigração continuarão com autoridade para fazer perguntas, solicitar documentos e coletar dados adicionais quando necessário.
O EES também funcionará em conjunto com o ETIAS (Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem), previsto para entrar em vigor em 2026. O ETIAS será obrigatório para turistas de países que viajam sem visto e terá taxa de €7.
Reflexos simbólicos e práticos
Para muitos viajantes, os carimbos no passaporte eram mais do que uma formalidade — representavam lembranças de cada viagem. Com o fim desse gesto simbólico, muitos falam em uma “era nostálgica” a ser superada.
Por outro lado, espera-se que filas nas fronteiras diminuam gradualmente, especialmente em aeroportos movimentados. No entanto, especialistas alertam que nos primeiros meses poderá haver lentidão, enquanto o sistema é implementado e ajustado.
Para o viajante brasileiro, a mudança exige atenção aos novos procedimentos, mas também promete mais agilidade, segurança e controle nas viagens à Europa — marcando o início de uma nova era no turismo internacional.