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Brasil Atinge Marca Histórica em Transplantes de Órgãos e Tecidos Pelo SUS

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Sistema Único de Saúde Supera 30 Mil Procedimentos em 2024 e Anuncia Modernização para Impulsionar Doações

O Brasil celebrou um marco inédito em 2024, consolidando sua posição como um dos maiores e mais complexos sistemas públicos de saúde do mundo no campo dos transplantes. O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou um recorde histórico, superando a impressionante marca de 30 mil procedimentos de transplantes de órgãos e tecidos, um aumento notável de 18% em comparação com 2022 e superando o recorde anterior de 28.700 alcançado em 2023. Esse feito ressalta não apenas a capacidade da rede de saúde brasileira, mas também o crescente engajamento da sociedade e os avanços tecnológicos no setor.

Apesar de uma ligeira redução no número de doadores efetivos, que passou de 4.129 em 2023 para 4.086 em 2024, o aumento no total de procedimentos demonstra uma otimização significativa na eficiência do sistema de captação e distribuição de órgãos. Entre os procedimentos mais realizados em 2024, destacam-se os transplantes de córnea (17.107), rim (6.320), medula óssea (3.743) e fígado (2.454), refletindo a abrangência e a complexidade das operações diárias do SUS.

Logística e Inovação para Salvar Vidas

A complexidade da logística de transplantes no Brasil é imensa, dada a dimensão territorial do país. Para superar esses desafios, o Ministério da Saúde mantém uma colaboração estratégica com companhias aéreas comerciais e a Força Aérea Brasileira (FAB). Em 2024, essa parceria resultou em 4.767 voos comerciais e 234 voos da FAB dedicados exclusivamente ao transporte de órgãos e tecidos, garantindo que vidas pudessem ser salvas em tempo hábil, mesmo em longas distâncias.

Em um esforço contínuo para aprimorar o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), o Ministério da Saúde anunciou uma série de medidas inovadoras visando maior eficiência e segurança. Uma das grandes novidades é a introdução nacional do Teste de Crossmatch Virtual. Essa tecnologia permitirá uma triagem imunológica mais rápida e eficiente, reduzindo drasticamente o tempo entre a doação e a cirurgia, minimizando riscos de rejeição e o tempo de isquemia do órgão – crucial para transplantes de rim, pâncreas, coração e pulmão. A expectativa é que essa medida seja implementada após a publicação da nova Regulamentação Técnica do SNT, prevista para setembro, após consulta pública.

Além disso, a reorganização das regiões de alocação de órgãos também está em pauta para agilizar ainda mais a distribuição. O SUS também expandiu sua oferta, passando a realizar pela primeira vez transplantes de intestino delgado e multivisceriais, representando um avanço significativo para pacientes com necessidades mais complexas. O uso da membrana amniótica para tratamento de queimaduras é outra inovação que chega ao sistema público, ampliando o leque de procedimentos disponíveis.

Aumento das Doações: Um Desafio Prioritário

Um dos maiores desafios para o sistema de transplantes continua sendo a taxa de recusa familiar. Em 2024, dos 4.900 familiares entrevistados sobre a doação de órgãos, 55% autorizaram o procedimento, o que significa que 45% das potenciais doações não foram concretizadas. Para enfrentar essa realidade, o Ministério da Saúde lançará o novo Programa Nacional de Qualidade em Doação para Transplantes (PRODOT). Este programa visa capacitar profissionais de saúde no apoio e acolhimento familiar, buscando reduzir as recusas e, consequentemente, aumentar o número de doações efetivas.

Com esses recordes e as novas medidas de modernização, o Brasil reforça seu compromisso com a vida, solidificando o SUS como um modelo de sucesso e inovação na medicina transplantadora global.