Inspirado na tradicional Lavagem do Bonfim, o cortejo celebra um quarto de século levando fé, música e a força da cultura afro-brasileira à capital francesa
As ruas de Paris voltaram a se vestir de branco e a pulsar ao ritmo dos tambores baianos. No domingo, 13 de setembro, a capital francesa foi palco da 25ª edição da Lavagem de Madeleine (Lavage de la Madeleine), considerada uma das maiores manifestações culturais afro-brasileiras na Europa. Inspirada na histórica Lavagem do Bonfim, em Salvador, a festividade celebra 25 anos de tradição aproximando as culturas do Brasil e da França através da música, da fé e do patrimônio cultural.
Com uma temática dedicada à homenagem ao samba, esta edição contou com mais de 700 artistas envolvidos e teve como atração principal no trio elétrico a cantora baiana Mariene de Castro, que retornou ao evento após dez anos. O desfile reuniu uma multidão que partiu da Place de la République e seguiu em cortejo até a Igreja de La Madeleine, onde foi realizada a tradicional lavagem simbólica das escadarias pelas baianas vestidas a caráter. A programação também contou com a presença de artistas como o cantor Jau, a cantora lírica Lorena Pires, o DJ Uran Rodrigues e o Babalorixá Pai Pote, do terreiro Ilê Axé Ojú Onirê, reafirmando as raízes espirituais e o sincretismo da celebração.
Criada em 2002 pelo multiartista baiano Robertinho Chaves — natural de Santo Amaro da Purificação —, a Lavagem de Madeleine tornou-se um marco contínuo de ocupação cultural no calendário oficial da cidade de Paris no encerramento do verão europeu. O festival também faz parte da Rota dos Escravizados da Unesco, projeto internacional que busca preservar e resgatar a memória e a história do povo afrodescendente no mundo.
Ao longo de quatro dias de festividades (de 10 a 13 de setembro), a capital francesa recebeu apresentações de maracatu, capoeira, baianas de acarajé, batucadas e feira gastronômica. A celebração consolidou mais uma vez o papel da cultura brasileira como uma ponte de paz, diversidade e valorização ancestral no cenário internacional.