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Conheça Ropa: método de fertilização utilizado por Ludmilla e Brunna Gonçalves

Reprodução
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Entenda como funciona a técnica escolhida pelo casal para engravidar de seu primeiro filho

No último sábado (9), a cantora Ludmilla e a dançarina Brunna Gonçalves anunciaram a gravidez de seu primeiro filho juntas durante o show da turnê “Numanice 3” em São Paulo. A grande revelação foi feita em uma entrevista ao programa Fantástico, exibido no domingo (4), onde o casal compartilhou detalhes emocionantes sobre a gestação. A gravidez foi possível por meio da fertilização in vitro, com a utilização de uma técnica conhecida como Ropa, que significa “recepção de oócito da parceira”.

O que é o método Ropa?

O método Ropa, que tem se tornado cada vez mais popular entre casais homoafetivos, permite que ambas as parceiras participem ativamente do processo de gestação. Nesse procedimento, uma das mulheres doa seus óvulos, enquanto a outra mulher recebe esses óvulos fecundados em seu útero, tornando-se a gestante. No caso de Ludmilla e Brunna, Ludmilla forneceu os óvulos, que foram fecundados com espermatozoide de doador, e os embriões resultantes foram implantados no útero de Brunna.

De acordo com o ginecologista e especialista em reprodução humana Fernando Prado, em entrevista à CNN, esse método permite que as duas mulheres se envolvam na maternidade de maneira conjunta. A mãe genética é a que fornece os óvulos, enquanto a mãe gestacional é aquela que carrega o bebê durante a gravidez. Esse processo não só promove uma experiência compartilhada de maternidade, mas também possibilita que ambas as mulheres vivenciem de forma integral a chegada de um filho.

Aspectos genéticos e epigenéticos

No caso do método Ropa, a criança terá a carga genética da mãe que forneceu os óvulos, mas características epigenéticas, como preferências alimentares, traços de personalidade ou gostos artísticos, podem ser influenciadas pela mãe que carregou o bebê. No entanto, essas diferenças não são detectadas em um teste de DNA, já que a epigenética não altera o código genético de uma pessoa. Mesmo assim, um teste genético apontará com 99,9% de certeza que a mãe genética é a mulher que doou os óvulos, como esclarecido por Fernando Prado.

Como funciona a fertilização in vitro?

O método Ropa é uma variação da fertilização in vitro (FIV), um tratamento de reprodução assistida que envolve a fecundação dos óvulos fora do corpo. O processo começa com a estimulação ovariana da mulher doadora dos óvulos, o que visa aumentar a quantidade de óvulos maduros disponíveis. Após a coleta, esses óvulos são fecundados com espermatozoides em laboratório. A partir daí, o embrião é cultivado por alguns dias antes de ser transferido para o útero da parceira gestante.

A fertilização in vitro pode ser feita de diferentes maneiras, incluindo a inseminação convencional, onde os óvulos e espermatozoides são colocados no mesmo ambiente e deixam a fertilização acontecer espontaneamente, ou por meio da injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), onde o espermatozoide é injetado diretamente no óvulo.

Legalização da reprodução assistida no Brasil

No Brasil, a reprodução assistida para casais homoafetivos é legal desde 2015, permitindo que casais do mesmo sexo possam realizar procedimentos como a fertilização in vitro. Para casais femininos, o processo envolve a doação anônima de sêmen, enquanto para casais masculinos, é necessária a doação de óvulos e o uso de uma barriga solidária — uma mulher que empresta seu útero para gestar o bebê, geralmente sendo alguém com parentesco consanguíneo de até 4º grau de um dos parceiros.

Diferença entre fertilização in vitro e inseminação artificial

É importante destacar que a fertilização in vitro não deve ser confundida com a inseminação artificial. Na inseminação intrauterina (IIU), o sêmen doado é colocado diretamente no útero da mulher no momento da ovulação, enquanto na FIV, os óvulos são fertilizados fora do corpo e os embriões resultantes são transferidos para o útero posteriormente.

Tempo e riscos envolvidos no processo

A fertilização in vitro é um procedimento complexo e pode levar algum tempo. O processo de estimulação ovariana dura cerca de duas semanas, seguido pela coleta dos óvulos e o cultivo dos embriões por 5 a 7 dias. Se forem feitos exames genéticos para verificar as condições cromossômicas dos embriões, esse processo pode demorar mais. A transferência do embrião para o útero da mãe gestacional pode ocorrer logo após o cultivo ou em uma transferência posterior.

Como qualquer procedimento médico, a fertilização in vitro apresenta riscos. O principal risco é a gestação múltipla, que pode ocorrer quando mais de um embrião é transferido para o útero, aumentando o risco de complicações como parto prematuro. Outro risco, embora raro, é a síndrome de hiperestímulo ovariano, onde os ovários reagem excessivamente à estimulação hormonal, produzindo um grande número de óvulos. Isso pode levar a complicações graves, como a perda de ovários, mas essa condição ocorre em menos de 1% dos casos.

Conclusão

O método Ropa tem se mostrado uma alternativa eficaz e segura para casais homoafetivos femininos que desejam compartilhar a experiência da maternidade. No caso de Ludmilla e Brunna, essa técnica permitiu que ambas se tornassem mães de seu primeiro filho, com Ludmilla contribuindo com a carga genética e Brunna assumindo a gestação. A legalização da fertilização in vitro no Brasil e o crescente número de casais que optam por essas técnicas demonstram a evolução das opções de reprodução assistida no país, trazendo novas possibilidades para famílias que buscam concretizar o sonho da maternidade.