Investigação revela um esquema de fraudes em créditos de ICMS que movimentou mais de R$ 1 bilhão, envolvendo grandes varejistas e auditores da Sefaz-SP.
Na manhã desta terça-feira, 12 de agosto de 2025, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagrou a Operação Ícaro, com apoio do GEDEC e da Polícia Militar, para desarticular um esquema de corrupção que envolvia auditores fiscais da Secretaria da Fazenda (Sefaz-SP) e grandes empresas do varejo, como Ultrafarma e Fast Shop.
Desde maio de 2021, o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto teria controlado todo o processo de ressarcimento de créditos de ICMS — desde a coleta de documentos até o deferimento do pedido. Ele contava com certificado digital das empresas para tramitar as solicitações diretamente, facilitando o processo em troca de propinas mensais — apelidadas de “mesada” — depositadas via empresa de fachada registrada no nome da mãe, a Smart Tax.
Em apenas dois anos, o patrimônio declarado dessa empresa saltou de R$ 411 mil em 2021 para R$ 2 bilhões em 2023.
Foram cumpridos três mandados de prisão temporária: o próprio auditor Artur Gomes, além do empresário Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, preso em sua chácara, e Mário Otávio Gomes, diretor da Fast Shop, detido na Zona Norte.
Também houve mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e nas sedes das empresas envolvidas, com apreensões que incluíram dinheiro em espécie (R$ 330 mil), dólares, euros e até esmeraldas.
Segundo o MP-SP, o esquema teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas desde 2021. E as investigações continuam: já estão na mira outras empresas como Oxxo, Kalunga, Rede 28 e Allmix Distribuidora, que podem ter se beneficiado do mesmo esquema.
Reações e medidas
A Secretaria da Fazenda anuncia ter aberto procedimento administrativo para apurar os envolvidos e solicitou oficialmente os documentos ao MP-SP. A Fast Shop informou que está colaborando com as investigações, enquanto a Ultrafarma ainda não se pronunciou.
As autoridades ressaltam que os envolvidos podem responder por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As diligências seguem em andamento, com reanálises de processos e apurações sobre novos envolvidos