Condições para o fenômeno climático estão se fortalecendo e dados de satélite indicam acúmulo de calor abaixo da superfície do oceano, o que pode impactar o inverno brasileiro
O fenômeno climático El Niño continua ganhando força no Oceano Pacífico e acende o sinal de alerta para especialistas em todo o mundo. Monitoramentos recentes apontam que as condições para a consolidação e intensificação do fenômeno estão se fortalecendo significativamente. De acordo com informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o processo de aquecimento das águas caminha a passos largos, elevando o nível de atenção para os impactos globais que podem surgir nos próximos meses.
Observações detalhadas da altura da superfície do mar, capturadas por satélites espaciais, revelaram dados preocupantes que vão além da medição tradicional da temperatura da água na superfície. Os sensores conseguiram mapear um forte acúmulo de calor armazenado no subsolo oceânico. Esse processo acontece quando a água quente se concentra na porção leste do Pacífico, aprofundando a camada superficial aquecida, rebaixando a termoclina (a camada que separa as águas quentes das frias) e suprimindo a ressurgência — o fenômeno natural que normalmente traz as águas profundas e mais frias para a costa das Américas.
Os cientistas identificaram que ondas Kelvin quentes subsuperficiais continuam se deslocando em direção ao Pacífico oriental, o que serve como um indicativo direto de que o El Niño segue em plena fase de intensificação. A grande dúvida da comunidade científica no momento é a intensidade que o fenômeno irá atingir e se ele poderá se equiparar ao histórico e devastador El Niño registrado no ano de 1997. A resposta definitiva dependerá diretamente do comportamento e da atividade oceânica ao longo das próximas semanas.
Os reflexos dessa intensificação tendem a ser generalizados. No cenário nacional, a iminente chegada de um “Super El Niño” traz forte potencial para impactar as características do inverno no Brasil, alterando padrões de temperatura e de distribuição de chuvas em diversas regiões. Apesar do cenário de alerta para setores sensíveis como o agronegócio e a infraestrutura, análises preliminares indicam que os efeitos econômicos podem ser parcialmente atenuados no setor de alimentos devido à existência de amplos estoques mundiais de grãos no momento.