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Entenda a cerimônia judaica de enterro de Silvio Santos: uma despedida marcada pela tradição

Foto: Mariana Maneta
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O apresentador, filho de imigrantes judeus, é sepultado em São Paulo com ritos religiosos tradicionais

No último domingo, 18 de agosto, o corpo do apresentador Silvio Santos foi sepultado em uma cerimônia marcada pelas tradições judaicas, no Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo. Silvio Santos, nascido Senor Abravanel, era filho de imigrantes judeus que chegaram ao Brasil no início do século 20. Nascido no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, em 1930, ele se tornou uma das figuras mais icônicas da televisão brasileira.

O sepultamento de Silvio Santos seguiu rigorosamente as práticas religiosas judaicas, que são fundamentadas na Torá, o livro sagrado do judaísmo. Essas regras e rituais determinam uma série de ações que devem ser realizadas desde o momento do falecimento até a cerimônia fúnebre, envolvendo todos os aspectos do tratamento do corpo e da realização da despedida.

Os primeiros momentos após o falecimento

Logo após a confirmação do falecimento de Silvio Santos, que ocorreu às 4h50 do sábado, 17 de agosto, em decorrência de uma broncopneumonia após uma infecção por Influenza (H1N1), os familiares entraram em contato com o Cemitério Israelita do Butantã. A comunicação imediata com o cemitério é essencial para que todos os preparativos religiosos, civis e legais possam ser organizados conforme as tradições judaicas.

A Congregação Israelita Paulista (CIP) explica que, uma vez informada a morte, o Chevra Kadisha, grupo composto por homens e mulheres ligados ao cemitério, assume a responsabilidade pela preparação do corpo. Este grupo tem a função de assegurar que todos os rituais sejam cumpridos com a devida reverência e de acordo com os preceitos religiosos.

Preparação e respeito ao corpo

Uma das primeiras ações realizadas pelo Chevra Kadisha é cobrir o corpo do falecido, garantindo que ele não fique exposto. A tradição judaica considera que deixar o corpo à vista é uma falta de respeito à dignidade que a pessoa tinha em vida. Por esse motivo, o caixão permanece fechado durante todo o velório, que é restrito apenas aos familiares e amigos mais próximos.

O corpo de Silvio Santos foi lavado e envolvido em uma mortalha branca, um tecido simples e sem adornos, que simboliza purificação, humildade e pureza. Esta prática é uma demonstração de que todos são iguais perante a morte, independentemente de suas conquistas em vida.

O sepultamento: uma cerimônia simples e significativa

No judaísmo, o sepultamento deve ocorrer o mais rápido possível, preferencialmente no mesmo dia da morte. No caso de Silvio Santos, como ele faleceu no sábado, dia de descanso para os judeus, o enterro foi realizado no dia seguinte, domingo, 18 de agosto. A cremação, que é proibida pela religião judaica, foi descartada, seguindo a crença de que o corpo deve se decompor naturalmente.

A cerimônia de sepultamento foi marcada pela simplicidade, sem ornamentação de flores no local ou no caixão, um reflexo da crença de que todos devem ser tratados de forma igual na morte. Durante o enterro, foram entoados hinos de louvor a Deus e pedidos de paz, criando uma atmosfera de reverência e espiritualidade.

Antes do encerramento da cerimônia, os parentes mais próximos de Silvio Santos jogaram punhados de terra sobre o caixão, um gesto que simboliza o retorno do corpo à terra, como ensinado na Torá. Ao deixarem o cemitério, os familiares seguiram o costume de lavar as mãos, um ato que representa a continuidade da vida sobre a morte. Em sinal de respeito e manutenção dos laços com o falecido, as mãos foram deixadas secar naturalmente, sem o uso de toalhas.

A despedida de um ícone

Silvio Santos, aos 93 anos, deixou um legado incomparável na televisão brasileira. Sua despedida, marcada pela simplicidade e tradição judaica, foi um reflexo da humildade e dignidade com que viveu. A cerimônia de seu enterro, realizada de acordo com os preceitos religiosos de sua família, serviu como um tributo final a um homem que, mesmo sendo uma das figuras mais reconhecidas do país, manteve-se fiel às suas raízes e crenças até o último momento.