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EUA decidem destruir bilhões de dólares em contraceptivos destinados a países pobres

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Milhares de pílulas, implantes e DIUs comprados pela USAID serão incinerados, em decisão criticada por ONGs e governos por desperdiçar insumos vitais para saúde reprodutiva.

O governo dos Estados Unidos anunciou que incinerará aproximadamente US$ 9,7 milhões em contraceptivos — incluindo pílulas orais, implantes e dispositivos intrauterinos (DIUs) — originalmente destinados a países em desenvolvimento, especialmente na África. A decisão é ligada ao desmantelamento da USAID (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional) e à adoção de políticas restritivas como a Mexico City Policy, que impede o envio de ajuda a organizações envolvidas com aborto.

Os insumos estão estocados há meses em um depósito em Geel, na Bélgica, e serão enviados para um centro de incineração na França, em uma operação que custará cerca de US$ 167 mil aos contribuintes norte-americanos . Muitos desses produtos ainda têm validade até 2027 ou além, contrariando argumentos sobre expiração próxima.

Organizações internacionais como MSI Reproductive Choices, IPPF e UNFPA ofereceram-se para assumir os custos logísticos de reembalagem ou distribuição, mas todas as propostas foram recusadas pelo governo dos EUA, sob justificativa de restrições legais e marcações da USAID nos produtos.

Reações e impactos

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) classificou a medida como “intencionalmente irresponsável”, destacando o risco aos direitos e à saúde de mulheres e meninas em regiões vulneráveis. Na visão da diretoria da MSF-EUA, destruir suprimentos já pagos por contribuintes é uma decisão política que prejudica a eficiência humanitária .

A Federação Internacional pela População e Planejamento Familiar (IPPF) afirmou que a ação representa “coerção reprodutiva” e um desrespeito aos direitos das mulheres.

Desde o início de 2025, a administração Trump vem reduzindo drasticamente a assistência estrangeira, com o fechamento da USAID e a realocação de seus programas para o Departamento de Estado. Estima-se que os cortes podem resultar em milhões de mortes adicionais até 2030, além de enfraquecer sistemas de saúde em países de baixa renda.

Estes contraceptivos, se distribuídos, poderiam atender centenas de milhares de mulheres por anos, prevenindo gravidez indesejada e reduzindo riscos relacionados a abortos inseguros. Especialistas indicam que isso poderia impactar positivamente a educação feminina e reduzir mortalidade materna em diversas regiões