Medida adotada em Vancouver gerou desconforto entre jornalistas de língua espanhola; entidade justifica que as regras do torneio preveem o uso de idiomas oficiais locais.
A Fifa adotou uma medida rígida durante as entrevistas coletivas da Copa do Mundo que gerou forte insatisfação entre os profissionais de imprensa. A entidade que rege o futebol mundial proibiu que jornalistas fizessem perguntas no idioma espanhol nas coletivas oficiais realizadas no estádio de Vancouver, no Canadá. A decisão pegou muitos repórteres de surpresa e limitou a cobertura da mídia hispânica.
A justificativa apresentada pela Fifa para barrar o idioma é de caráter estritamente logístico: a ausência de um sistema e de profissionais para realizar a tradução simultânea do espanhol para as demais línguas naquela sede específica. Segundo a entidade, os regulamentos da competição estabelecem que as entrevistas de pré e pós-jogo devem contar, obrigatoriamente, com tradução para as línguas oficiais das seleções envolvidas na partida e também para o idioma do país que está sediando o evento.
Como a partida em questão em Vancouver não envolvia nenhuma seleção de país hispanofônico, a organização local não disponibilizou o serviço de interpretação para essa língua. Dessa forma, os jornalistas que pretendiam formular seus questionamentos em espanhol foram formalmente orientados e obrigados a falar em inglês para que pudessem participar das coletivas com os atletas e treinadores.
A imposição causou desconforto nos bastidores do centro de imprensa, uma vez que o espanhol é uma das línguas mais faladas no ecossistema da Copa do Mundo e conta com uma das maiores delegações de jornalistas credenciados cobrindo o evento de perto.