Escolha por uma chapa pura do PL ocorre após tentativas frustradas de alianças e divide opiniões no entorno do candidato
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta quarta-feira (5) a escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como pré-candidato a vice-presidente em sua chapa na corrida ao Palácio do Planalto nas Eleições de 2026. A definição resulta na composição de uma chapa “puro-sangue”, formada integralmente por correligionários do Partido Liberal, e vem logo após legendas como Republicanos, União Brasil, Progressistas (PP) e Podemos optarem pela neutralidade na disputa presidencial.
Ex-promotor de Justiça, ex-procurador-geral de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, Alfredo Gaspar ganhou visibilidade nacional recentemente por sua atuação como relator da Comissão Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Durante seu anúncio, Flávio Bolsonaro enfatizou a trajetória do parlamentar no combate ao crime e ao banditismo, além de sua representatividade na região Nordeste. Por sua vez, Gaspar expressou gratidão pela escolha e declarou compromisso com o projeto político do senador.
A indicação, contudo, provocou reação mista e divisão entre apoiadores e coordenadores da pré-campanha. Integrantes do setor aliado argumentavam que o perfil ideal para a vice-presidência seria o de uma mulher de centro e com apelo no meio evangélico, a fim de ampliar o alcance do eleitorado feminino e atrair a simpatia do mercado financeiro. Nomes como o da senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o da ex-presidente da Caixa Daniella Marques chegaram a ser cotados, mas os posicionamentos de neutralidade de suas respectivas siglas inviabilizaram as composições.
Críticos internos e adversários políticos apontam que a opção por uma chapa puro-sangue evidencia limitações na articulação política para expandir a base aliada. O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), coordenador de campanha do pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD), declarou que a indicação atesta uma “incapacidade de ampliar a base de apoio”. Por outro lado, defensores da escolha sustentam que a imagem de Gaspar no campo da segurança pública e sua atuação na CPMI do INSS constituem ativos estratégicos para o debate eleitoral.