Tendência viral nas redes sociais põe em risco a proteção contra radiação UV, enquanto dermatologistas reforçam a necessidade do uso diário de filtros solares
Um novo movimento que se espalhou rapidamente pelas redes sociais, especialmente no TikTok, tem incentivado a ideia de que o uso de protetor solar é desnecessário ou até prejudicial. Sob hashtags como #AntiSunscreen ou #NoSunscreen, vídeos com receitas naturais — usando óleos, manteigas e filtros minerais sem comprovação — somam milhões de visualizações e têm ganhado seguidores da Geração Z. Essa onda começou em 2019, quando a FDA dos EUA pediu revisão de alguns componentes, mas acabou alimentando teorias equivocadas sobre segurança dos filtros solares.
Riscos para a pele e a saúde
Dermatologistas brasileiros, como o Dr. Lucas Miranda (Sociedade Brasileira de Dermatologia), alertam que a exposição sem proteção traz riscos graves: queimaduras, envelhecimento precoce, manchas, imunossupressão local e aumento substancial do risco de câncer de pele, incluindo melanoma.
O biomédico Thiago Martins destaca que, apesar da luz solar ajudar na produção de vitamina D, essa suplementação pode ser feita de forma segura, sem os efeitos cumulativos da exposição solar desprotegida.
Alternativas naturais não oferecem proteção eficaz
Óleos vegetais ou manteigas populares não têm FPS regulamentado, nem estabilidade aos raios UV, não oferecem testes dermatológicos robustos e podem causar efeitos adversos como acne, irritação ou até oxidação na pele ao sol — criando uma falsa sensação de segurança.
Prevalência do não uso e impacto no Brasil
Estudos apontam que mais da metade da população brasileira não usa protetor solar regularmente: 52,8% numa amostra de adultos e idosos em Criciúma (SC) não aplicavam fotoprotetor como hábito.
Regiões como o sul do país lideram os índices de câncer de pele, devido à alta radiação UV e predominância de pele clara — perfil de alto risco. A evidência científica é clara: o UV é carcinogênico comprovado, e o protetor solar é uma das poucas defesas eficazes disponíveis.
Geração Z e falta de conscientização
Relatórios internacionais revelam que apenas 37% da Geração Z usam protetor solar regularmente, e muitos desconhecem riscos básicos como câncer de pele ou envelhecimento causados pelo sol. Entre jovens de 18 a 25 anos nos EUA, 52% receberam nota final D ou F em questionário sobre fotoproteção.
Educação e combate à desinformação
Especialistas recomendam campanhas de educação em saúde, com informações embasadas, e alertam que influenciadores não qualificados têm sido vetores diretos de conteúdos falsos. É fundamental que profissionais de saúde sejam vozes ativas no esclarecimento de mitos e promoção do uso correto do filtro solar.
Por que continuar usando protetor solar?
- Previne câncer de pele (melanoma e carcinomas).
- Evita envelhecimento precoce: rugas, manchas e perda de elasticidade.
- Protege durante o tratamento dermatológico com ácidos, lasers ou peelings.
- Exemplos internacionais mostram que campanhas governamentais — como na Austrália — reduzem diretamente os casos de câncer de pele com uso obrigatório do produto em setores como escolas.