A parceria com a Mombak prevê compensar 200 mil toneladas de CO₂ e coloca o Brasil no centro da nova economia do carbono
A gigante de tecnologia Google anunciou um marco significativo em sua estratégia de sustentabilidade ao fechar, no início de novembro de 2025, o que considera seu maior acordo de remoção de carbono até o momento. A empresa assinou uma parceria com a startup brasileira Mombak para restaurar áreas degradadas na Amazônia, com objetivo de compensar cerca de 200 mil toneladas métricas de dióxido de carbono (CO₂).
O que diz o acordo
A Mombak transformará terras degradadas — como pastagens improdutivas — em florestas nativas biodiversas. O Google vai comprar esses créditos de reflorestamento, tornando a Mombak sua principal fornecedora de créditos de carbono dessa natureza.
No anúncio oficial da Google, a empresa informa que o acordo será quatro vezes maior que seu projeto-piloto anterior com a Mombak.
Por que isso importa
Esse acordo tem várias implicações:
- Compensação de emissões: data centers e infraestrutura de inteligência artificial das grandes empresas demandam muita energia; assim, a Google busca formas de neutralizar suas emissões por meio de métodos “baseados na natureza”.
- Mercado de créditos de carbono de qualidade: A Mombak se destaca porque adota práticas mais rigorosas na geração de créditos, o que vem se tornando crucial dado o histórico de projetos menos confiáveis no mercado florestal.
- Papel do Brasil: O fato de o acordo ocorrer antes da COP30, sediada em Belém (PA) e tematizando as florestas, reforça o protagonismo brasileiro em soluções climáticas que envolvem restauração ecológica.
Como a Mombak atua
A Mombak adquire ou firma parcerias com proprietários de terras degradadas no chamado “Arco do Desmatamento” da Amazônia, transformando pastagens abandonadas ou de baixa produtividade em ecossistemas florestais nativos. Essa restauração gera não apenas sequestro de carbono, mas também ganhos em biodiversidade, qualidade de água, solo e emprego local.
Desafios e perspectivas
Embora o acordo seja animador, há fatores que merecem atenção:
- Escala e tempo: Recuperar áreas degradadas até florestas maduras leva anos ou décadas. Os créditos de carbono têm que ser medidos, verificados e garantidos ao longo do tempo.
- Rastreabilidade e transparência: O mercado de créditos de carbono florestal teve casos de fraudes ou de baixa qualidade (como no modelo REDD+), e a exigência hoje é por modelos mais confiáveis.
- Recursos e governança: Para que iniciativas como essa se multipliquem, é necessário ambiente regulatório, parceiros locais (comunidades, governos estaduais e federais), além de capital e tecnologia.
- Impacto além do carbono: A restauração precisa avançar não só em quantidade de árvores, mas em qualidade — espécies nativas, conectividade do ecossistema, benefícios para comunidades tradicionais e para a biodiversidade como um todo.
O que isso representa para o futuro
Esse acordo mostra que o reflorestamento está ganhando posição central na economia verde, especialmente quando ligado ao mercado global de créditos de carbono. Empresas de tecnologia como Google estão dispostas a pagar mais por projetos bem estruturados — o que pode abrir caminho para mais investimentos no Brasil. Além disso, mostra que a Amazônia pode deixar de ser vista apenas como “dono de floresta” para ser protagonista em soluções globais de clima. Com iniciativas desse tipo, combinado a políticas de fiscalização, conservação e restauração, abre-se uma rota mais robusta para que o bioma cumpra tanto metas ambientais quanto de geração de valor socioambiental.