Nicolas Puech acusa ex-gestor financeiro de sumiço de seis milhões de ações; morte do conselheiro agrava mistério sobre patrimônio bilionário.
O bilionário francês Nicolas Puech, herdeiro das ações da luxuosa grife Hermès e bisneto do fundador, está no centro de um escândalo financeiro. Ele afirma ter desaparecido cerca de seis milhões de ações, atualmente avaliadas em 14,5 bilhões de euros (aproximadamente R$ 94 bilhões).
Puech, de 82 anos, mantinha uma relação de confiança com seu ex-gestor financeiro, Eric Freymond, por 25 anos. A acusação formal foi feita após a morte súbita de Freymond, aos 67 anos, em circunstâncias ainda sob investigação na Suíça. O herdeiro reitera que espera que as autoridades esclareçam os motivos do falecimento.
Desde 1998, Freymond detinha acesso às contas e aos extratos financeiros de Puech. Segundo os processos, a partir de 2001 houve movimentações como vendas e transferências das ações da Hermès supostamente sem o conhecimento pleno do herdeiro. Em 2022, Nicolas rescindiu os poderes concedidos ao ex-gestor, iniciando então ações judiciais na Suíça e na França.
As primeiras reações judiciais foram negativas a Puech: na Suíça, sua acusação foi julgada “vaga e infundada”, levando à absolvição de Freymond. Já na França, o caso segue em andamento.
Nicolas já havia ganhado repercussão internacional quando revelou sua intenção de deixar sua fortuna para o jardineiro que trabalhava com ele há décadas, afirmando ser solteiro e sem herdeiros diretos. Essa decisão rompe com a tradição familiar e aumentou a atenção sobre o destino dos ativos.
Além do aspecto legal, este caso envolve diretamente a atuação da LVMH, holding de luxo rival liderada por Bernard Arnault. Há suspeitas de que parte das ações desaparecidas tenha sido negociada em sigilo durante tentativas de aquisição da Hermès pela LVMH. Investigações apontam uso de mecanismos sofisticados e bancos suíços como intermediários nessas transações.
Com a morte de Freymond e a idade avançada de Puech, o destino de sua participação acionária — e do bilionário montante — permanece um mistério. A saga atrai interesse global, não apenas pela fortuna perdida, mas pela complexidade legal, sucessórias e intrigantes vínculos com a alta moda e o litígio financeiro.