Com mais de 300 mil seguidores, Melissa Said é apontada pela polícia como peça-chave de um esquema que envolvia comercialização e distribuição de maconha entre a Bahia e São Paulo.
Na manhã de 22 de outubro de 2025, a Polícia Civil da Bahia deflagrou a “Operação Erva Afetiva”, coordenada pelo Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), contra um esquema de tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro. O alvo principal da ação foi Melissa Said, influenciadora digital conhecida no Brasil por seu conteúdo ligado ao uso de maconha nas redes sociais.
Melissa, que acumula cerca de 320 a 330 mil seguidores em seu perfil no Instagram, onde se autodenomina “ervoafetiva”, aparece nas investigações como responsável por postar conteúdo que promovia o uso de cannabis, além de instruir sobre práticas ligadas à comercialização da substância.
O que as investigações revelaram
De acordo com o Denarc, as apurações identificaram que a influenciadora:
- fazia apologia ao uso de drogas em suas redes sociais;
- participava ativamente da comercialização, armazenamento e distribuição de maconha na capital baiana, Salvador, e possivelmente em outros municípios;
- mantinha fornecedores nos estados da Bahia e de São Paulo, fato que evidencia o caráter interestadual do esquema;
- era considerada foragida até a última atualização das investigações.
Foram cumpridos mandados de prisão temporária e de busca e apreensão nas cidades de Salvador e Lauro de Freitas (BA) e também em São Paulo e Araçatuba (SP). Durante a ação, foram apreendidos 1,4 kg de maconha tipo skunk, 270 g de haxixe, balanças de precisão, embalagens plásticas, celulares, cartões e veículos com indícios de uso na atividade criminosa.
Impacto e reflexões
O caso de Melissa Said escancara algumas tensões importantes:
- O poder das redes sociais: uma influenciadora com centenas de milhares de seguidores pode transformar seu alcance em instrumento de promoção de práticas ilícitas, como o tráfico ou o uso de drogas.
- A linha tênue entre conteúdo de estilo de vida e apologia ao crime: o que pode parecer entretenimento ou expressão pessoal pode, sob a ótica da lei, configurar crime.
- O caráter interestadual das operações: o fato de haver fornecedores em outro estado mostra que o Brasil continua enfrentando redes de tráfico que atravessam fronteiras regionais, exigindo cooperação entre diferentes forças policiais.
- A responsabilidade de plataformas, marcas e influenciadores: Melissa era embaixadora de uma marca ligada ao universo da cannabis, o que reacende o debate sobre o papel das parcerias comerciais em contextos que podem envolver substâncias ilícitas.
O que vem pela frente
As investigações seguem em curso. A Polícia Civil da Bahia afirmou que continuará até prender todos os envolvidos, esclarecer a extensão do esquema e identificar todos os participantes. A busca pela influenciadora continua, com monitoramento de redes sociais, movimentações financeiras e cooperação entre estados.
Para o público, o episódio serve como alerta: o que pode parecer “conteúdo de estilo de vida” ou “promoção de liberdade” nas redes nem sempre é inocente. Quando a influência se transforma em instrumento de crime — seja de tráfico, apologia ou distribuição —, as implicações legais podem ser gravíssimas.