Ferramenta desenvolvida por pesquisadores dos EUA estima idade biológica a partir de fotos faciais, auxiliando na previsão de prognósticos e decisões clínicas
Pesquisadores do Mass General Brigham, nos Estados Unidos, desenvolveram uma ferramenta inovadora chamada FaceAge, que utiliza inteligência artificial para analisar selfies e estimar a idade biológica de pacientes com câncer. O estudo, publicado na revista The Lancet Digital Health, revelou que essa estimativa pode ser um indicador significativo na previsão da sobrevivência desses pacientes.
A idade biológica reflete a condição funcional do corpo humano, podendo diferir da idade cronológica. Por exemplo, um estilo de vida sedentário, tabagismo e consumo excessivo de álcool podem acelerar o envelhecimento biológico. No estudo, pacientes com câncer apresentaram uma FaceAge, ou idade facial estimada, em média cinco anos superior à sua idade real. Aqueles com uma FaceAge mais avançada tiveram piores desfechos de sobrevivência, independentemente de fatores como sexo ou tipo de câncer.
O FaceAge foi treinado com 58.851 fotos de indivíduos saudáveis e testado em 6.196 pacientes com câncer. Os resultados mostraram que a ferramenta superou médicos na previsão de expectativas de vida de curto prazo em pacientes submetidos à radioterapia paliativa, aumentando a precisão de 61% para 80% quando usada em conjunto com avaliações clínicas.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam a necessidade de mais estudos para validar a eficácia do FaceAge em diferentes populações e contextos clínicos. Preocupações sobre possíveis vieses nos dados e a necessidade de transparência nos critérios utilizados pela IA também foram levantadas.
A equipe está explorando a aplicação do FaceAge em outras áreas, como previsão de doenças, estado geral de saúde e expectativa de vida. A ferramenta representa um avanço significativo na integração da inteligência artificial na medicina personalizada, oferecendo uma abordagem não invasiva para auxiliar na tomada de decisões clínicas.