Entre vitórias, recaídas e reflexões, o ator revela que, apesar de ter reduzido mais de 60 kg, ainda convive com os impactos físicos, emocionais e profissionais dessa decisão pela saúde.
Em novembro de 2014, Leandro Hassum escolheu enfrentar uma de suas maiores batalhas: a obesidade mórbida. No auge da condição, ele chegou a pesar cerca de 150 kg. A partir da cirurgia bariátrica, iniciava-se uma nova fase – marcada por reduções de peso expressivas, mudanças no estilo de vida e também por desafios que vão muito além da balança.
A decisão e a transformação
O procedimento que Hassum realizou fez parte de um tratamento para a obesidade – uma condição que traz riscos reais para a saúde, como problemas cardíacos, articulares e outras complicações graves. O humorista, em entrevistas recentes, reforçou que não faz apologia à cirurgia bariátrica. “É uma das formas de tratar a doença da obesidade. É uma coisa perigosa, mas é mais perigoso você viver na obesidade.”
Após o procedimento, ele registrou uma perda de peso de aproximadamente 60 kg ou mais, reduzindo o corpo e o peso de 150 kg para algo em torno de 87 kg em determinado momento. Essa mudança trouxe não só melhorias físicas, mas abriu espaço para novos hábitos: musculação, corrida, esportes e alimentação mais equilibrada passaram a fazer parte de sua rotina.
Os desafios que permanecem
Mesmo com os resultados visíveis, Hassum revela que a jornada não acabou – muito pelo contrário. Em um desabafo, ele afirma que “me olho no espelho e ainda me vejo com 160 kg”. Essa afirmação traz à tona o peso psicológico de mudanças drásticas: o corpo muda, mas a mente nem sempre acompanha à mesma velocidade. Ele confessou que sofreu agressões virtuais após emagrecer, críticas à sua aparência e até ao próprio humor profissional: “Achava que, quando eu emagreçesse, ia parar o bullying. O bullying cibernético começou depois que emagreci.”
No campo profissional, ele lembrou que chegou a perder convites porque “agora que emagreceu, esquece”. Esse fato revela como a obesidade, assim como a perda de peso, pode impactar percepção e oportunidades – ainda que o talento continue o mesmo.
Recaídas e ajustes
Hassum também contou que enfrentou momentos delicados: durante a pandemia, com as incertezas e mudanças de rotina, ganhou quase 20 kg, chegando aos 113 kg. Ele comenta que percebeu comportamentos de autossabotagem – como consumo de álcool recreativo – o que o levou a se reorganizar, retomar hábitos saudáveis e entender que a manutenção de peso é um esforço contínuo.
Saúde como prioridade
Hoje, aos mais de dez anos da cirurgia, Hassum reforça que saúde não se pesa, e que o cuidado deve ser integral – físico, mental e emocional. Ele comemora a nova etapa da vida, agradece a quem esteve ao seu lado e reconhece que a decisão foi fundamental para estar vivo, ativo e presente para sua família.
Por que sua história importa
A trajetória de Leandro não é apenas sobre emagrecimento ou estética. É sobre dignidade, sobre tratamento de uma doença (obesidade), sobre desconstrução de padrões e sobre a necessidade de olhar para a saúde como algo muito além da balança. Ele traz à tona debates importantes: o preconceito contra o corpo acima do peso, o impacto emocional de emagrecer, as pressões sociais e o fato de que “virar magro” não significa que todos os problemas se resolvem.
Considerações finais
Leandro Hassum mostra que mudar o corpo pode abrir caminhos — mas que as transformações mais profundas estão na mente, no ambiente, nas relações e no modo como nos vemos no espelho. A cirurgia foi o início de uma outra vida, mas o caminho segue. E ele fala isso com franqueza, sem ilusões: “A luta não para e nunca irá parar.”