Presidente destaca responsabilidade compartilhada, defende transição energética justa e cobra apoio dos países ricos para enfrentar impactos climáticos em nações mais vulneráveis.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da abertura da COP30, realizada em Belém, no Pará, e enfatizou que a crise climática mundial não pode ser tratada apenas como um problema ambiental. Segundo ele, é também uma crise social e econômica que atinge com mais força as populações pobres, indígenas e países em desenvolvimento.
Em seu discurso, Lula afirmou que a emergência climática expõe desigualdades históricas entre nações e dentro dos próprios territórios. Os países que menos contribuíram para as emissões globais são, em grande parte, os que mais sofrem com enchentes, secas extremas, fome e perda de biodiversidade. “A crise climática é uma crise da desigualdade. E não haverá solução sustentável enquanto milhões continuarem excluídos do acesso ao básico: água, moradia, comida e segurança”, declarou.
Transição energética e preservação da Amazônia
A COP30 tem como ponto central a Amazônia, região que abriga a maior floresta tropical do mundo e desempenha papel essencial no equilíbrio climático global. Lula reforçou o compromisso do Brasil em combater o desmatamento ilegal e destacou que o país tem avançado na redução desses índices nos últimos anos, mesmo enfrentando desafios relacionados à mineração e ocupações irregulares.
O presidente também defendeu uma transição energética que não deixe ninguém para trás. Segundo ele, mudanças tecnológicas e industriais não podem aprofundar desigualdades ou criar novas barreiras sociais. “Não é aceitável que o sul global continue pagando a conta enquanto o norte global retém riqueza produzida historicamente às custas da exploração ambiental”, afirmou.
Cobrança aos países ricos
Lula cobrou dos países desenvolvidos o cumprimento das promessas de financiamento climático feitas em acordos internacionais anteriores. Ele lembrou que nações industrializadas têm responsabilidade histórica maior pelas emissões de CO₂ e precisam apoiar financeiramente projetos de preservação e adaptação climática nos países mais vulneráveis.
Especialistas destacam que o momento é estratégico: a pressão por ações efetivas aumentou devido ao agravamento de eventos climáticos extremos observados nos últimos anos, como ondas de calor recordes, alagamentos destrutivos e queimadas em grandes biomas.
Participação de povos indígenas e comunidades tradicionais
A conferência também vem sendo marcada pela presença ativa de lideranças indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia, que reforçam a importância da proteção cultural e territorial. Elas defendem que garantir seus direitos é essencial para manter a floresta viva, uma vez que são responsáveis pela preservação direta de vastas áreas.
Lula chamou a atenção para o papel desses povos na história de resistência ambiental e afirmou que políticas públicas precisam reconhecê-los como protagonistas na construção de um modelo sustentável de desenvolvimento regional.
Um chamado global
No encerramento de sua fala, Lula destacou que enfrentar a crise do clima exige cooperação, planejamento e, principalmente, compromisso político. Ele afirmou que o Brasil busca ser ponte entre diferentes nações, incentivando o diálogo e a construção de soluções conjuntas.
“Não há planeta B. Ou fazemos juntos, agora, ou deixaremos às futuras gerações um legado de destruição e injustiça”, concluiu.