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Lula reage a tarifas de Trump: instala comitê empresarial e pactua retaliação

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Em resposta à proposta de Trump de taxar 50% das exportações brasileiras a partir de 1º de agosto, o presidente Lula anuncia comitê com empresários e aciona Lei de Reciprocidade, mantendo portas abertas para negociação via OMC.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na quinta-feira (10), em entrevista concedida ao Jornal da Record, que o Brasil criará um comitê de emergência composto por governo e empresários para monitorar diariamente e reavaliar a política comercial brasileira com os Estados Unidos.

A mobilização ocorre após o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar por carta que pretende aplicar tributos de 50% sobre todas as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto de 2025, justificando a medida como retaliação ao processo judicial que investiga o ex-presidente Jair Bolsonaro .

Principais pontos da estratégia brasileira:

  • Criação de comitê com participação empresarial para identificar impactos, repercussões e reformular rapidamente a agenda comercial.
  • Busca por diálogo diplomático, com alternativa de acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a ilegalidade da medida.
  • Aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril de 2025, como resposta jurídica imediata: “Se ele cobra 50%, nós cobramos 50%”, enfatizou Lula.

O presidente criticou a narrativa de Trump sobre suposto déficit comercial, afirmando que os EUA, na verdade, apresentam superávit de US$ 410 bilhões em relação ao Brasil nos últimos 15 anos. Lula declarou que a investida é um “ataque” e uma inserção política inspirada no bolsonarismo, com forte influência de Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo.

Defensor da soberania nacional, Lula reiterou que a justiça brasileira é autônoma, classificou a ação dos EUA como uma tentativa de “tutela” e reafirmou que o país permanece aberto ao diálogo, com firmeza.

Segundo o professor Carlos Gustavo Poggio, o Brasil deve adotar “retaliação cruzada” — aplicando medidas a setores não diretamente afetados, como patentes farmacêuticas e royalties — para evitar encarecer sua própria produção.

Empresários já sinalizam preocupação. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) declarou que não há base econômica para o imposto americano, exaltando a necessidade de negociação imediata.

Impactos e próximos passos

  1. Comitê de emergência inicia reuniões diárias com setores produtivos e governos.
  2. Assessoria jurídica mobilizada para preparar ações na OMC e outros fóruns multilaterais.
  3. Definição de retaliações automáticas com base na lei nacional em vigor.
  4. Acompanhamento das reações econômicas — queda no mercado de ações, câmbio e setores como aviação e bancos sofrem direta pressão.

A resposta do Brasil combina uma postura diplomática sólida com firmeza econômica e legal. O avanço do comitê e a implementação da Lei de Reciprocidade abrem margem para contramedidas tão rigorosas quanto a ameaça tarifária, mas com foco em soluções criativas e técnicas de retaliação. A disputa se anuncia como um campo de tensão geopolítica, em que Brasília busca equilibrar relações com os EUA, coesão interna e resguardo à soberania.