Documentos do abolicionista brasileiro entram para o Registro Memória do Mundo, destacando sua luta pela abolição da escravidão no Brasil.
A UNESCO anunciou, em dezembro de 2024, a inclusão dos manuscritos de Luiz Gama no Registro Memória do Mundo, registrando-os como Patrimônio da Humanidade. Luiz Gama, nascido em Salvador em 1830, foi um notável poeta, jornalista e advogado autodidata, conhecido por sua atuação na defesa de pessoas escravizadas no Brasil.
Os documentos reconhecidos incluem cartas de emancipação, artigos de jornal e registos de processos judiciais nos quais Gama atuou, utilizando brechas legais para libertar mais de 500 pessoas escravizadas. Uma de suas estratégias foi comprovar que indivíduos africanos chegaram ao Brasil após a designação do tráfico negro, garantindo-lhes a liberdade.
Parte desse acervo está disponível no Arquivo Público do Estado de São Paulo, com muitos documentos já digitalizados e acessíveis ao público. O reconhecimento pela UNESCO destaca a importância desses registros para a memória global e a luta pelos direitos humanos.
Em 2021, Luiz Gama recebeu postumamente o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de São Paulo (USP), sendo o primeiro negro brasileiro a receber essa honraria desde a criação da universidade.

Foto: Reprodução/TV Globo