Evento anual consolida-se como palco de devoção e expressão do poder evangélico no cenário nacional
A capital paulista se tornou, mais uma vez, o epicentro da fé evangélica no Brasil com a realização da 33ª edição da Marcha para Jesus nesta quinta-feira (19), feriado de Corpus Christi. Milhões de fiéis se uniram em uma grandiosa caminhada, que partiu da Estação da Luz e seguiu por 3,5 km até a Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira (FEB), na Zona Norte, em um dia marcado por louvor, oração e uma notável presença política.
A Marcha para Jesus, um evento pacífico e aberto a toda a população, teve sua primeira edição no Brasil em 1993, em São Paulo, sob a coordenação do Apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo. Desde então, o movimento cresceu exponencialmente, transformando-se no maior evento cristão a céu aberto do mundo e se espalhando por diversas cidades brasileiras e outros países. Sua origem remonta a 1987, em Londres, Reino Unido, com o objetivo de expressar publicamente a fé cristã. Ao longo dos anos, a Marcha consolidou-se não apenas como uma manifestação religiosa, mas também como um importante termômetro da ascensão do segmento evangélico no Brasil.
Engajamento Político e Mensagens de Reconciliação
A edição de 2025 reforçou a crescente intersecção entre fé e política. Entre as autoridades presentes, destacou-se o Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, acompanhado de aliados próximos. Tarcísio proferiu um discurso que, embora focado em aspectos religiosos e na “reconciliação”, não deixou de lado a menção à necessidade de uma nação livre de “idolatria e corrupção”, ressoando com pautas caras ao eleitorado evangélico.
Representando o governo federal, o Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, marcou presença, subindo ao palco e reforçando a diversidade de espectros políticos no evento. A presença de líderes políticos nas Marchas para Jesus tem se tornado cada vez mais comum, transformando o evento em um palanque de grande visibilidade, embora parte dos próprios evangélicos resista à ideia de politização do encontro. Pesquisadores apontam que, especialmente desde governos passados, a Marcha tem assumido uma dimensão político-cultural, refletindo o fortalecimento de um perfil de evangélicos com alinhamento a interesses de partidos mais à direita e liberais economicamente.
Estrutura e Participação Recorde
Para a 33ª edição, a organização montou uma “mega estrutura” de som e luz para mais de 10 horas de shows, com a participação de grandes nomes da música gospel brasileira, como Aline Barros, Bruna Karla, Fernanda Brum, Thalles Roberto, Isadora Pompeo, Samuel Messias, Soraya Moraes e Renascer Praise. O percurso de 3,5 km contou com oito trios elétricos, e a Marcha registrou a participação de 17.250 caravanas, o maior número na história do evento, com uma expectativa de público de 2 milhões de pessoas.
Mais de 3.500 voluntários foram mobilizados em 60 equipes de coordenação para garantir a segurança, saúde, limpeza, logística e comunicação. Houve também um trio elétrico exclusivo para crianças e pequenos trens para seu conforto, além de uma equipe especializada para criar um cordão de segurança ao longo do percurso. A Marcha para Jesus, que conta com o apoio da Prefeitura de São Paulo e de órgãos como CET, SPTrans/Atende, São Paulo Turismo e Polícia Militar, reafirma seu papel como um dos eventos de maior impacto cultural, social e religioso do Brasil.