Em Nova York para debate na ONU, o chanceler brasileiro sinaliza disposição para dialogar com o governo dos EUA, condicionado a resposta de Washington, enquanto senadores brasileiros pressionam em Washington ao mesmo tempo.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, chegou aos Estados Unidos no domingo, 27 de julho de 2025, no momento em que se intensificam as tensões diplomáticas por conta do anúncio de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras, a partir de 1º de agosto, feito pelo presidente Donald Trump.
Inicialmente em Nova York para participar de uma conferência de alto nível na ONU, dedicada à questão da Palestina, Vieira mantém aberta a possibilidade de estender sua viagem até Washington, mas condiciona qualquer deslocamento à manifestação clara de abertura política por parte da Casa Branca.
Até o momento da viagem, não houve sinalização positiva das autoridades dos EUA para um encontro bilateral com o chanceler. Segundo fontes oficiais, até o domingo, o governo americano não indicou interesse em diálogo. Ao mesmo tempo, diplomatas brasileiros afirmam que o diálogo comercial está bloqueado por uma postura centralizadora da administração Trump.
O Brasil enviou duas cartas a Washington: a primeira, em maio, contendo propostas de isenções e concessões antes da elevação tarifária de 10% para 50%; a segunda, duas semanas atrás, expressando discordância com a linguagem usada por Trump ao justificar a medida como resposta ao tratamento do Supremo ao ex-presidente Jair Bolsonaro, descrito pelo republicano como vítima de “caça às bruxas”.
O governo brasileiro deixou claro que a soberania nacional é inegociável e que não aceitará interferência política nas negociações, incluindo qualquer exigência relacionada ao andamento judicial envolvendo o ex-presidente Bolsonaro.
Paralelamente à agenda de Mauro Vieira, uma comitiva de oito senadores brasileiros desembarcou em Washington para mobilizar parlamentares, líderes empresariais e representantes do setor privado norte-americano. O grupo, que permanece na capital dos EUA até quarta-feira (30 de julho), reúne políticos como Nelsinho Trad, Tereza Cristina, Jacques Wagner, Marcos Pontes, entre outros.
Mesmo com a presença de ex-ministros da gestão Bolsonaro na missão (Tereza Cristina e Marcos Pontes), a iniciativa representa um esforço do governo Lula para pressionar o setor privado dos EUA a intermediar um diálogo, na expectativa de evitar a escalada comercial. No entanto, diplomatas avaliam que a missão terá efeitos limitados, já que até o momento os canais formais continuam bloqueados pela Casa Branca.
O governo norte-americano prepara um decreto para justificar formalmente a imposição das tarifas, possivelmente com base em uma nova declaração de emergência econômica internacional. A expectativa brasileira é de que Trump anuncie um calendário gradual de aplicação das taxas, em vez de uma imposição imediata no dia 1º de agosto.