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Médicos de Kiev realizam cirurgia inédita e salvam a vida de recém-nascido com grave defeito cardíaco

Foto: Centro de Cardiologia e Cirurgia Cardíaca da Ucrânia
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Primeira intervenção do mundo salva bebê com transposição de grandes vasos, condição fatal até então.

Uma equipe médica de Kiev, na Ucrânia, realizou a primeira cirurgia do mundo para salvar a vida de um recém-nascido relatada com uma grave condição cardíaca, a transposição de grandes vasos, considerada incompatível com a vida. A operação inovadora foi realizada no Centro Médico Científico e Prático de Cardiologia e Cirurgia Cardíaca, do Ministério da Saúde da Ucrânia, e marcou um marco na história da medicina, demonstrando um avanço significativo nas abordagens para tratar danos cardíacos neonatais.

O diagnóstico e a preparação para a cirurgia

Ainda na gestação, o bebê foi constatado com transposição de grandes vasos, um defeito congênito do coração onde as principais artérias estão trocadas, impedindo que o sangue oxigenado seja corretamente distribuído pelo corpo. Essa condição, se não tratada rapidamente, é fatal. Ao receber o diagnóstico, a mãe, residente na Moldávia, foi orientada a buscar tratamento especializado na Ucrânia. Uma obstetra foi até o país para ajudar no parto da criança.

Para garantir o melhor atendimento possível ao recém-nascido, a equipe médica planejou cuidadosamente a operação. A cirurgia foi realizada logo após o parto, com uma equipe dividida entre duas salas. Na primeira, o bebê foi retirado de sua mãe em uma cesariana, e na segunda, outra equipe de médicos estava pronta para corrigir o defeito cardíaco imediatamente após o nascimento. A cirurgia foi feita sem perder tempo, graças a um planejamento preciso.

O “útero artificial” e o processo cirúrgico pioneiro

O grande diferencial dessa intervenção foi a criação de um ambiente que imite as condições do útero, essencial para garantir a segurança e o conforto do bebê durante o procedimento. Como o bebê nasceu fora do ambiente uterino, que tem temperatura constante de 37°C, a sala de cirurgia foi adaptada para manter a mesma temperatura interna, fazendo com que os médicos chamassem de “útero artificial”.

“Falamos de horas e hoje podemos falar de minutos, porque o caminho entre as duas salas de cirurgia é bastante curto – apenas alguns passos. A criança foi transportada com extrema rapidez entre as duas salas, sendo mantida em temperatura controlada, como se ainda estivesse no útero”, explicou Ilya Yemets, professora da instituição e responsável pela cirurgia.

Uma conquista histórica na cirurgia cardíaca

Este procedimento é, segundo o Dr. Ilya Yemets, a primeira vez na história da cirurgia cardíaca que uma operação de correção de defeito cardíaco foi realizada em um recém-nascido imediatamente após uma cesariana, em um ambiente com temperatura controlada para simular as condições do útero. “Este é um evento verdadeiramente histórico. Nunca antes foi feita uma cirurgia tão inovadora em uma criança recém-nascida”, destacou o médico.

A equipe que realizou a operação, liderada por Yemets, em colaboração com ginecologistas e obstetras, conseguiu corrigir o defeito fatal e dar ao bebê uma chance de vida. O pequeno paciente já se encontra em recuperação e apresenta boas perspectivas de recuperação total.

Impacto global e perspectivas futuras

Essa cirurgia não é apenas um grande avanço nas técnicas de correção de danos cardíacos em recém-nascidos, como também abre portas para novas abordagens na medicina neonatal. A combinação da cirurgia cardíaca com a adaptação do ambiente para simular o útero representa uma revolução nos cuidados com bebês com condições incompatíveis com a vida, e pode servir de modelo para outras equipes médicas ao redor do mundo.

Foto: Centro de Cardiologia e Cirurgia Cardíaca da Ucrânia