Medidas visam reduzir superlotação, aumentar a segurança e preservar a montanha mais alta do mundo
O governo do Nepal anunciou planos para reformular as regras de emissão de permissões de escalada no Monte Everest, restringindo o acesso apenas a alpinistas que comprovem experiência prévia significativa. A proposta surge em resposta à crescente preocupação com a superlotação nas trilhas rumo ao cume e ao aumento no número de acidentes fatais registrados nas últimas temporadas.
Segundo autoridades do Ministério do Turismo nepalês, a nova política exigirá que os alpinistas tenham escalado pelo menos um pico de mais de 6.500 metros antes de receberem autorização para enfrentar os 8.849 metros do Everest. Atualmente, o país emite permissões mediante o pagamento de uma taxa de aproximadamente 11 mil dólares, sem exigir comprovação de habilidades técnicas avançadas ou experiência anterior.
A mudança de postura é impulsionada pelos números alarmantes. Na temporada de 2023, 18 pessoas morreram tentando alcançar o topo do mundo — o maior número de óbitos em um único ano registrado na montanha, conforme levantamento do Himalayan Database. Muitos dos incidentes foram atribuídos à inexperiência dos escaladores e à superlotação de áreas críticas, como o temido Hillary Step, trecho íngreme e estreito próximo ao cume.
Além disso, a superlotação gera impactos ambientais severos, com o aumento da quantidade de lixo deixado para trás, o que tem preocupado ambientalistas e organizações de preservação. As condições meteorológicas extremas, o ar rarefeito e o terreno traiçoeiro tornam o Everest um dos desafios mais mortais do montanhismo mundial — mesmo para atletas altamente treinados.
As novas medidas planejadas pelo Nepal ainda estão em fase de consulta, mas devem entrar em vigor já nas próximas temporadas de escalada, que ocorrem tradicionalmente entre abril e maio. O país, que depende significativamente do turismo de aventura para sua economia, busca equilibrar a necessidade de arrecadação com a preservação da segurança e da reputação de seus picos.
Especialistas do setor aprovaram a iniciativa, afirmando que limitar o acesso a montanhistas experientes pode reduzir drasticamente o número de acidentes e mortes, além de ajudar na conservação da montanha. Organizações internacionais, como a UIAA (Federação Internacional de Montanhismo e Escalada), também têm pressionado nos últimos anos por regulamentações mais rígidas em montanhas de grande altitude.
Além do Everest, o governo do Nepal pretende revisar as regras de acesso para outras montanhas de grande altitude do país, reforçando a exigência de guias locais credenciados e implementando sistemas de rastreamento via GPS para monitorar as expedições em tempo real.
Caso a medida seja aprovada, o Monte Everest poderá se tornar um desafio ainda mais exclusivo — reservado àqueles que realmente possuem preparo físico, psicológico e técnico para enfrentar as condições extremas do teto do mundo.