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Nova regra do Pix promete facilitar devolução de valores em caso de golpe

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Banco Central amplia poder de rastrear dinheiro e devolver transações fraudulentas em até 11 dias

O Pix — sistema de pagamentos instantâneos mais usado no Brasil — passou por uma mudança importante que promete ajudar quem foi vítima de golpes ou fraudes. Com o novo modelo do Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0), agora em vigor, há muito mais chances de reaver valores transferidos indevidamente.

Como funcionava antes — e quais eram os problemas

Antes dessa atualização, a devolução só ocorria se o dinheiro ainda estivesse na conta do fraudador. Como criminosos geralmente transferem o valor rapidamente para outras contas — ou sacam o dinheiro —, recuperar os valores se tornava quase impossível.

Mesmo com o sistema inicial do MED, criado em 2021, o índice de devoluções ainda era muito baixo. Em 2024, menos de 7% do total desviado em fraudes via Pix retornou às vítimas, o que mostrou a necessidade de reforçar o mecanismo.

O que muda com o MED 2.0

A nova versão do mecanismo permite que o Banco Central e as instituições financeiras rastreem o caminho completo do dinheiro, mesmo quando ele passa por diversas contas diferentes. Isso aumenta muito a chance de localizar e bloquear os valores.

As principais mudanças incluem:

  • Possibilidade de devolução a partir de todas as contas envolvidas na cadeia de transferências, e não apenas da primeira.
  • Contestação feita diretamente pelo aplicativo do banco, com atendimento simplificado.
  • Prazo de até 11 dias para devolução, desde que os valores estejam disponíveis em alguma das contas rastreadas.
  • A partir de fevereiro de 2026, todas as instituições que operam Pix serão obrigadas a adotar o novo MED.

O Banco Central afirma que o objetivo é tornar o ambiente mais seguro e dificultar a ação de golpistas, já que contas suspeitas serão identificadas e poderão ser bloqueadas.

Quando o MED pode — e quando não pode — ser usado

O mecanismo é válido para situações como:

  • fraudes e golpes de engenharia social;
  • transferências forçadas ou feitas mediante roubo de senha;
  • operações realizadas por terceiros sem autorização;
  • movimentações suspeitas que indiquem crime.

Por outro lado, o MED não cobre:

  • erros de envio voluntário, como digitar a chave errada;
  • desacordos comerciais ou devoluções por compra insatisfatória;
  • disputas entre comprador e vendedor sem indício de golpe.

Nestes casos, a solução continua sendo negociação direta ou medidas judiciais.

O que muda para o usuário do Pix

Para milhões de brasileiros que usam o Pix diariamente, a atualização traz mais tranquilidade. A chance de recuperar valores aumentou, e a burocracia diminuiu. A expectativa é que os golpistas encontrem mais barreiras para movimentar e ocultar o dinheiro, reduzindo esse tipo de crime.

Mesmo com um sistema mais seguro, especialistas reforçam que a prevenção continua essencial: desconfiar de mensagens urgentes, não compartilhar códigos e sempre confirmar a identidade do destinatário antes de enviar qualquer valor.