Lemborexante, aprovado pela Anvisa, age de forma inovadora bloqueando os sinais que mantêm o cérebro acordado e traz menor risco de dependência
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em abril de 2025, o medicamento lemborexante, comercializado no Brasil como Dayvigo, pela farmacêutica japonesa Eisai. O lemborexante representa uma nova abordagem no tratamento da insônia — ao agir como antagonista dos receptores de orexina, ele bloqueia os sinais que mantêm o cérebro em estado de vigília, em vez de simplesmente desacelerar o sistema nervoso central, como fazem os benzodiazepínicos e drogas Z.
Pesquisadores da Universidade de Oxford, em uma análise publicada na revista The Lancet, avaliaram 36 medicamentos para insônia e consideraram o lemborexante um dos melhores, empatado apenas com a eszopiclona, por reunir os melhores perfis de eficácia, tolerabilidade e aceitabilidade pelos pacientes. Essa escolha destacou o lemborexante como uma alternativa segura, com menor risco de dependência ou efeitos colaterais como amnésia, sonambulismo ou déficits cognitivos, comuns nas medicações tradicionais.
Diferenciais do Dayvigo no tratamento
- Mecanismo de ação inovador: bloqueia os receptores OX₁ e OX₂ da orexina, sinal responsável por manter o estado de alerta cerebral.
- Menor potencial de dependência: não atua sobre os receptores GABA, usados por benzodiazepínicos e Zolpidem, reduzindo a chance de tolerância e abstinência.
- Eficácia comprovada: melhora tanto no tempo para adormecer quanto na manutenção do sono, com efeitos observados desde as primeiras doses e duradouros por até seis meses em estudos clínicos.
- Perfil de segurança favorável: os efeitos adversos mais comuns foram sonolência e fadiga; também foi relatada paralisia do sono, mas em baixa incidência.
Uso clínico e precauções
A dose inicial recomendada é de 5 mg por noite, alguns minutos antes de dormir, com previsão de pelo menos 7 horas de sono. Se necessário, pode-se aumentar para 10 mg, conforme tolerância clínica. O medicamento só é indicado para adultos, sendo contraindicado para pessoas com narcolepsia ou insuficiência hepática grave.
Embora tenha sido aprovado, o Dayvigo ainda depende da definição de preço máximo de venda pela CMED (Câmara de Regulação), e da avaliação da CONITEC para eventual incorporação ao SUS — o que significa que sua disponibilidade no mercado brasileiro ainda não tem data definida.
🌙 Insônia: um problema nacional
Dados do Instituto do Sono apontam que até 15% da população brasileira enfrenta insônia crônica, e cerca de 2 em cada 3 adultos relatam dificuldade em dormir regularmente. Em 2024, mais de 16 milhões de caixas de Zolpidem foram vendidas no país — triplicando o volume há dez anos, o que revela uma dependência crescente dos tratamentos tradicionais.
Por isso, profissionais da Saúde do Sono ressaltam que o primeiro passo no tratamento deve ser a higiene do sono — como rotina regular, limitação de telas antes de dormir, redução de cafeína e prática de exercícios — seguida pela terapia comportamental, especialmente a TCC-I (Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia). Medicamentos devem ser usados de forma pontual e sob acompanhamento médico, sempre considerando riscos e benefícios.
Reflexões e perspectivas
Em resumo, o lemborexante representa um avanço significativo no tratamento da insônia no Brasil:
- Age com um mecanismo mais natural e menos invasivo ao cérebro;
- Promete ser mais seguro e com menor chance de dependência;
- Tem eficácia comprovada em diversas fases de estudos clínicos;
- Ainda requer acompanhamento quanto à disponibilidade e custo no país.
Com essa nova alternativa, espera-se oferecer ao paciente um tratamento eficaz e com menos efeitos adversos, preenchendo uma lacuna cada vez mais evidente no campo dos distúrbios do sono.