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O Adeus a Mãe Carmen do Gantois: O Brasil chora a partida de uma guardiã da ancestralidade

Foto: Divulgação
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Lideranças políticas, artistas e a comunidade do axé prestam homenagens à Ialorixá que dedicou quase um século à fé e à cultura baiana.

O coração da Bahia bate mais devagar hoje. Com a partida de Mãe Carmen de Oxalá, o Terreiro do Gantois perde sua líder física, mas ganha uma força ancestral eterna. Aos 98 anos, Carmen Oliveira da Silva nos deixou após um período de internação devido a complicações de uma gripe forte, mas o que fica é um legado que ultrapassa as fronteiras do terreiro no Alto do Gantois.

Um legado de resistência e doçura Filha biológica da lendária Mãe Menininha e sucessora de sua irmã, Mãe Cleusa, Carmen assumiu o comando do Ilé Iyá Omi Axé Iyamassé em 2002. Desde então, ela manteve viva a tradição de que “Axé não se vende”. Para ela, o candomblé era uma missão de acolhimento. Políticos de todos os lados e artistas de renome mundial encontravam nela o conforto de uma mãe e a sabedoria de uma mestra.

O governador Jerônimo Rodrigues destacou que Mãe Carmen era a “guardiã de uma tradição ancestral”, ressaltando sua luta pela paz e pelo respeito às religiões de matriz africana. Já o prefeito de Salvador, Bruno Reis, e o ex-prefeito ACM Neto, enfatizaram que ela era uma referência não só espiritual, mas humana, um símbolo de resistência que ajudou a moldar a identidade cultural da nossa cidade.

A música que chora em Iorubá A relação de Mãe Carmen com a música brasileira é um capítulo à parte. Ela foi a musa e a guia de artistas como Maria Bethânia, que sempre demonstrou uma reverência profunda pela Ialorixá. Em 2019, o álbum “Obatalá – Uma Homenagem a Mãe Carmen” reuniu vozes como Gilberto Gil, Gal Costa e Carlinhos Brown. Um dos momentos mais emocionantes foi a participação de Ivete Sangalo, que cantou em Iorubá, mostrando a força dessa conexão espiritual que unia o povo do santo e a música popular.

Mãe Carmen deixa um vazio imenso, mas suas lições de diálogo, persistência e fé continuam ecoando. Como ela mesma dizia, a beleza do mundo está no Gantois, e agora, essa beleza brilha no Orum.