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O que ninguém nos contou sobre menstruar depois dos 40: quando o corpo muda antes da menopausa

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Entre cólicas, irritação e descobertas, uma conversa sincera sobre o climatério, a TPM que parece outra e o corpo que começa a falar mais alto do que nunca

Tem uma coisa curiosa sobre chegar aos 40: a gente acha que já conhece o próprio corpo. Eu, por exemplo, sempre tive um histórico bem intenso com o meu ciclo menstrual. Cólicas absurdas, fluxo forte… já desmaiei, já fui parar em emergência. Era um evento, um caos anunciado. Mas, ainda assim, era um caos conhecido. O que eu não esperava… era estranhar o meu próprio corpo depois de tantos anos convivendo com ele. Porque foi isso que começou a acontecer.

A mulher que percebe que o corpo mudou e não sabe explicar por quê

De um tempo pra cá — coisa de um ano mais ou menos — comecei a perceber algo diferente. Antes, eu nunca conseguia identificar quando a TPM estava chegando. Pra mim, era tudo meio confuso. Às vezes, meu marido ou meus filhos comentavam: “você tá de TPM?”, e eu ficava meio sem saber o que responder, até porque não era nem de longe o momento da famosa tensão pré-menstrual. Mas hoje… não tem como não perceber. A irritabilidade chega num nível que nem eu me aguento: o corpo dói diferente, o inchaço incomoda mais, a sensibilidade aparece em tudo, a vontade de doce grita e a fadiga… parece que alguém desligou minha energia. E o mais estranho de tudo? Eu tenho certeza de que não era assim antes. É como se meu corpo tivesse mudado o roteiro… sem me avisar.

Então eu descobri: não é “coisa da minha cabeça” — é o tal do climatério

Muita gente acha que menopausa é quando tudo começa, mas não é. Existe um período chamado climatério — e é exatamente nele que muitas de nós estamos, sem nem saber. O climatério é uma fase de transição natural do corpo feminino. Não é doença. Não é problema. Não é “frescura”. É o período em que nossos hormônios — principalmente estrogênio e progesterona — começam a oscilar. E, dentro dele, existe a tal da perimenopausa, que é quando a bagunça hormonal começa de verdade. Já a menopausa é só um marco: quando ficamos 12 meses sem menstruar. Ou seja… quando você chega à menopausa, o processo já está acontecendo há um tempo. E aí tudo começa a fazer sentido.

Menstruar depois dos 40 não é mais a mesma coisa e ninguém te prepara pra isso

Se você sente que seu ciclo mudou… você não está imaginando. Algumas coisas começam a acontecer: ciclos mais curtos… ou mais longos, menstruação que atrasa ou adianta sem aviso, fluxo mais intenso (ou, às vezes, bem mais fraco), cólicas diferentes (às vezes até mais fortes), TPM mais presente — e mais intensa. É como se o corpo estivesse testando novos padrões. E isso acontece porque, nessa fase, nem sempre ovulamos regularmente. Ou seja: o corpo perde um pouco daquela previsibilidade que tinha antes. No meu caso, o que mais me chamou atenção foi a intensidade, tudo ficou mais forte.

Uma TPM que parece outra ou uma versão ampliada de tudo

Tem dias que eu penso: “isso aqui não é TPM… isso é outra coisa”. Mas é. Só que agora ela vem diferente: mais sensível, mais emocional, mais física, mais… tudo, e não sou só eu. Muitas mulheres relatam que, no climatério, a TPM parece durar mais tempo — quase como se fosse uma “TPM estendida”. E isso tem explicação. Nessa fase, o estrogênio e a progesterona começam a oscilar — às vezes sobem, às vezes caem, às vezes somem sem avisar — e isso impacta diretamente o corpo.

O que a gente sente: inchaço mais frequente, retenção de líquido, sensibilidade nas mamas, dores de cabeça (as famosas enxaquecas hormonais), alterações no intestino, acúmulo de gordura abdominal, perda de massa muscular. Ou seja… não é só impressão quando a gente olha no espelho e pensa: “tem algo diferente aqui”. Tem mesmo.

E a cabeça? Ah… a cabeça sente tudo isso também. Se o corpo muda, o emocional acompanha, e talvez essa seja a parte mais difícil de explicar — e de viver: irritabilidade intensa, oscilações de humor, ansiedade, cansaço constante, sensação de não se reconhecer, aquela “névoa mental” (quando parece que o cérebro está mais lento)… e, pra completar, o sono que já não vem como antes. Dormir mais cedo virou um desafio, o corpo até pede descanso, mas a mente não desacelera, ou simplesmente o sono não encaixa mais no horário que sempre foi natural. E aí vem aquela dúvida silenciosa: “Será que sou eu… ou é o meu corpo?”
A resposta? São os dois — e nenhum deles está errado.

Quando a gente não se reconhece mais e acha que está exagerando

Essa, pra mim, foi a parte mais desconcertante, porque não é só físico, é identidade, é olhar pra si e pensar: “eu não era assim”. E sabe o que é mais importante dizer aqui? Você não está exagerando, inventando ou “ficando difícil”, você está vivendo uma transição real.

Além de tudo isso, ainda tem as mudanças visíveis: pele mais ressecada, acne (sim, depois dos 40!), queda de cabelo, alterações na libido, secura vaginal. E aí entra um outro tipo de impacto: o da autoestima. Porque não é só sentir — é ver. Então por que ninguém fala disso com a gente? Talvez porque fomos ensinadas a ignorar e seguir como se nada estivesse acontecendo, mas a verdade é que tem muita coisa acontecendo, e talvez a pergunta não seja: “por que estou assim?”, mas sim: por que sentimos tudo isso de forma diferente depois dos 40? O que é natural e o que precisa de atenção? Em que momento investigar? E… por que ninguém nos preparou pra isso?

A virada de chave: quando a gente começa a se ouvir de verdade

Se tem uma coisa que essa fase está me ensinando… é prestar atenção. Hoje, eu sei quando meu corpo está mudando. Eu sinto. Eu percebo. Eu reconheço. E, por mais desconfortável que isso seja às vezes… também é um tipo de poder, porque autoconhecimento muda tudo.

E foi justamente nesse movimento de me ouvir que eu entendi que precisava de ajuda. Procurei uma nutricionista, comecei a olhar com mais carinho para minha rotina, e pequenas mudanças já começaram a fazer diferença: incluir algumas sementes, apostar em chás mais calmantes, ajustar hábitos simples que ajudam, principalmente, na qualidade do sono — que, pra mim, virou um dos maiores desafios dessa fase. Além disso, também vou iniciar uma investigação com exames para entender melhor se já estou na perimenopausa. E só esse passo, de buscar respostas, já trouxe um certo alívio.
Porque talvez a gente não tenha controle sobre todas as mudanças… mas pode, sim, escolher como atravessar esse processo.

E o movimento entra como aliado (spoiler do próximo capítulo). Se o corpo muda… a forma de cuidar dele também precisa mudar, e aqui entra algo que tem feito cada vez mais sentido pra mim: movimento como regulação, exercício como equilíbrio hormonal, treino de força para preservar massa muscular, consciência corporal como ferramenta de autonomia. Não é sobre fazer mais, é sobre fazer melhor — e com mais intenção, e é exatamente sobre isso que eu quero conversar com você no próximo artigo.

Porque existe um conceito que tem tudo a ver com essa fase… e que pode transformar a forma como a gente envelhece: a gerontomotricidade.

Mas essa conversa… a gente continua daqui a pouco. Se você leu até aqui e pensou: “sou eu todinha”… então talvez essa seja a fase mais desafiadora — e também a mais potente da nossa vida. E, aos poucos, a gente vai entendendo que não precisa ter todas as respostas de uma vez, mas precisa, sim, começar a se escutar. E a melhor parte é que a gente não precisa passar por ela sozinha. 💛

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Plena além dos 40